terça-feira, 31 de julho de 2018

2014 - The Real... Bossa Nova (The Ultimate Collection) - VA

Artista: VA
Album:  The Real... Bossa Nova (The Ultimate Collection) 3CDs
Lançamento: 2014
Selo:  Columbia
Gênero: Bossa Nova, Brazilian Song, Latin Jazz
 A bossa nova pode ser definida como um movimento musical brasileiro que tem sua origem na cidade do Rio de Janeiro, na segunda metade dos anos 1950. Podemos dizer que os pais da bossa nova foram os cantores e compositores Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes. No começo da década de 1960, quando este estilo já fazia sucesso no Brasil, ele desembarcou aos Estados Unidos, país em que também obteve destaque. As principais influências da bossa nova foram o jazz norte-mericano e o samba. Porém, muitos especialistas em música dizem que o choro, o blues e a moda de viola também foram influências importantes para este estilo musical bem com ritmo calmo e suave, violão e piano como principais instrumentos musicais de acompanhamento, temas descompromissados e ligados à vida cotidiana da classe média (principalmente carioca), amores e exaltação de elementos da natureza (praias, vento, chuva, sol, etc.), utilização do tom coloquial na narrativa das canções. músicas cantadas em tom baixo e calmo, como se fosse uma fala ou uma narração, letras poetizadas, principalmente as elaboradas pelo poeta Vinícius de Moraes e apartir do começo da década de 1960, o movimento musical busca distanciar-se das influências do jazz norte-americano. O novo rumo busca uma aproximação com os ritmos brasileiros como, por exemplo, o samba e o baião.
Boa audição - Namastê

domingo, 29 de julho de 2018

1999 - Great Ladies Sing The Blues - VA



Artista: VA
Album: Great Ladies Sing The Blues
Lançamento: 1999
Selo: Rebound Records
Gênero: Vocal Jazz, Blues, Vocal Swing
"É pau, é pedra, é pele, é osso - o homem desde os tempos primais descarregou suas tensões batendo, batucando, marcando ritmo no que estivesse ao alcance de sua mão. Surgiu dai a parafernália rítmica, o arsenal de instrumentos que compõe a bateria moderna, os mil e um apetrechos da percussão, coisas ainda de índole artesanal, a família das marimbas, dos xilofones e seu primo rico o vibrafone e as extensões eletrônicas de tudo isso, propagadas nos mais modernos computadores. Claro, o ritmo digitalizado - os drum’n' bass da vida - nada tem a ver com o verdadeiro suingue do jazz, que nasceu do contato da pele e da mão humana com os couros, das baquetas e das vassourinhas fazendo vibrar os pratos turcos de cobre feitos também manualmente. Vocês podem ver as pinturas das cavernas, o mundo que nossos ancestrais grafitaram para a eternidade; mas o som daquelas épocas primais só pode ser captado mesmo na arte dos bateristas, percussionistas e vibrafonistas de jazz".  - Cedric Doranges

Boa audição - Namastê

sábado, 28 de julho de 2018

Billie Holiday, uma cantora à frente do tempo

Billie Holiday é reconhecida como a maior intérprete que o jazz já produziu. Com interpretações intensas e com sentimento encantou o público e mudou a arte dos vocais para sempre. Mais de meio século depois de sua morte é difícil acreditar que as vocalistas de jazz antes de seu surgimento raramente personalizavam suas canções; na verdade, apenas as cantoras de blues como Bessie Smith e Ma Rainey davam a impressão de que tinham vivido o que estavam cantando. Billie Holiday fez a leitura desta tradição do blues e revolucionou o jazz e o pop tradicional, rasgando a tradição de décadas se recusou a comprometer sua arte. Em sua autobiografia, ela admitiu que sempre quis ser uma cantora como Bessie Smith e ter o sentimento de Louis Armstrong, e que muitas vezes tentou cantar como um trompete. mas, na verdade, seu estilo era praticamente ela própria. A tragédia pessoal e as drogas marcaram a sua vida. Mas todo o lixo que ela viveu era transformado pelo seu canto. Surras, prisões, droga pesada, mais o drama de uma cantora negra naquele tempo, quando muitas vezes nos hotéis onde se hospedava, no auge da carreira, era ‘convidada’ a subir pelo elevador de serviço para que não se misturasse com os brancos. Tudo isso foi transformado em interpretações históricas. Quando se ouve Billie cantar, sente-se que ela está contando sua história. Era linda, louca, sexy e livre. Billie é a minha deusa. Com seu estilo brilhando em cada gravação, a sua perícia técnica também se destacou em comparação à grande maioria de seus contemporâneos. Muitas vezes entediada e cansada das velhas canções que ela era forçada a gravar no início de sua carreira, Billie brincava com a melodia e rejuvenescia as canções com harmonias emprestadas de seus instrumentistas favoritos, Louis Armstrong e Lester Young. A sua notória vida privada com uma série de relações abusivas, dependência de substâncias químicas e períodos de depressão, sem dúvida, ajudaram seu status lendário. ‘Lover Man’, ‘Don't Explain’, ‘Strange Fruit’ e sua própria composição ‘God Bless the Child’, que versa sobre a pobreza, estão entre os seus melhores desempenhos e permanecem entre as apresentações mais sensíveis já registradas. Mais do que a capacidade técnica, mais do que a pureza da voz, o que fez Billie Holiday uma das melhores vocalistas do século foi o seu temperamento implacavelmente individualista. A vida caótica de Billie Holiday, supostamente, começou em Baltimore quando ela nasceu como Eleanora Fagan Gough. Seu pai, Clarence Holiday, foi um adolescente guitarrista de jazz que mais tarde tocou na Orquestra de Fletcher Henderson. Sua mãe também foi uma jovem adolescente, e se por causa de inexperiência ou negligência, muitas vezes deixava a filha com parentes indiferentes. Billie foi expulsa da escola católica com 10 anos, depois que admitiu ter sido estuprada, e condenada a ficar presa até a idade adulta foi liberada depois de dois anos por um amigo da família. Com a mãe, ela se mudou em 1927, primeiro para New Jersey e, logo depois para o Brooklyn. Em New York, Billie ajudava a mãe como empregada doméstica, mas logo começou a se prostituir para ter uma renda adicional. E já cantava em clubes do Harlem desde 1930. Teve um pouco de publicidade no início de 1933, quando o produtor e caçador de talentos John Hammond, também no início de uma carreira legendária, escreveu sobre ela em uma coluna para o mais antigo jornal sobre música já existente, o ‘Melody Maker’, do Reino Unido, e trouxe Benny Goodman a uma de suas apresentações. Depois de gravar uma demo na Columbia Studios, Billie se juntou ao pequeno grupo de Goodman para fazer sua estreia comercial com a música ‘Your Mother's Son-In-Law’. Apesar de não voltar ao estúdio por mais de um ano, Billie passou 1934 galgando os degraus da competitiva cena dos bares de New York. No início de 1935, ela fez sua estreia no Teatro Apollo, e apareceu em um filme com Duke Ellington. Durante a última metade de 1935, finalmente entrou em um estúdio novamente e gravou quatro sessões. Com uma banda supervisionada pelo pianista Teddy Wilson, ela gravou uma série de canções obscuras e esquecíveis da Tin Pan Alley, nome dado à editora de música de New York e seus compositores que dominaram a música popular dos Estados Unidos no final do século 19 e início do século 20. Em outras palavras, músicas disponíveis apenas para uma banda obscura de afroamericanos dos anos 30. Durante a era do swing, as editoras de música mantinham as melhores músicas estritamente nas mãos de orquestras populares e cantores brancos. Apesar da qualidade pobre das canções, Billie energizou essas canções. No final de 1937, gravou vários números com um pequeno grupo, mais uma descoberta de John Hammond, a orquestra de Count Basie. O saxofonista tenor Lester Young, que tinha conhecido brevemente Billie alguns anos antes, e o trompetista Buck Clayton se tornaram seus parceiros. E juntos gravaram o seu melhor trabalho e Billie deu o apelido de ‘Pres’ a Young, enquanto ele a apelidou de ‘Lady Day’ por sua elegância. Na primavera de 1937, ela começou a excursionar com Basie como o complemento feminino de seu vocalista masculino, Jimmy Rushing. A associação durou menos de um ano. Embora oficialmente ela tenha sido despedida da banda por ser temperamental e pouco confiável, a verdade é que o alto escalão do mundo editorial ordenou a ação depois que ela se recusou a cantar clássicos de blues dos anos 20. Menos de um mês depois de deixar Basie, ela foi contratada por Artie Shaw, um dos primeiros exemplos de uma mulher negra que apareceu com um grupo branco. Apesar do apoio contínuo de toda a banda, no entanto, promotores e patrocinadores de rádio logo começaram a contestar Billie, com base em seu estilo de cantar pouco ortodoxa, e também por ser negra. Após uma série de indignidades Billie deixou a banda com desgosto. Mais uma vez, a sua percepção foi valiosa, a maior liberdade lhe permitiu dar um show em um novo clube chamado ‘Café Society’, a primeira boate popular com um público inter-racial. Lá, Billie Holiday aprendeu a canção que iria catapultar sua carreira para um novo nível: ‘Strange Fruit’. ‘Strange Fruit’ é uma canção que condena o racismo americano, especialmente o linchamento de afro-americanos que ocorreu principalmente no sul dos Estados Unidos, mas também em outras regiões do país. ‘Strange Fruit’ foi composta como um poema, escrito por Abel Meeropol, um professor judeu de colégio do Bronx, sobre o linchamento de dois homens negros. Ele a publicou sob o pseudônimo de Lewis Allan. Abel Meeropol e sua esposa adotaram, em 1957, Robert e Michael, filhos de Julius e Ethel Rosenberg, acusados e condenados por espionagem e executados pelo governo dos Estados Unidos. Embora Billie inicialmente manifestasse dúvidas sobre a inclusão de tal música em seu repertório, ela o fez confiando em seus poderes de sutileza. E ‘Strange Fruit’ logo se tornou o destaque em suas apresentações e foi gravada. Uma vez liberada, ‘Strange Fruit’ foi proibida por muitas estações de rádio. Billie continuou a gravar e atingiu novamente grande sucesso com a sua mais famosa composição de 1941, ‘God Bless the Child’ e em 1944 com ‘Lover Man’, uma canção escrita especialmente para ela e seu terceiro grande hit. Billie logo se tornou prioridade para a ‘Decca Records’, ganhando o direito de material musical de alta qualidade e seções de cordas de luxo para suas gravações. Apesar de estar no alto da popularidade, a vida emocional de Billie começou um período turbulento. Já fortemente viciada em álcool e maconha, começou com o ópio com seu primeiro marido, Johnnie Monroe. O casamento não durou, e o vício na heroína veio com o segundo casamento com o trompetista Joe Guy. A morte de sua mãe a afetou profundamente, e em 1947 ela foi presa por posse de heroína e condenada a oito meses de prisão. Infelizmente, os problemas continuaram depois de sua libertação. As drogas tornaram impossíveis as suas apresentações. Atormentada ela seguiu em frente. Embora os estragos de uma vida dura estivessem refletidos em sua voz, muitas das gravações de Billie doa anos 50 são tão intensas e belas quanto sua obra clássica. Em 1954, Billie excursionou pela Europa com grande sucesso, e sua autobiografia de 1956 trouxe ainda mais notoriedade. Ela fez sua última grande aparição, em 1957, na televisão em um especial com Ben Webster, Lester Young e Coleman Hawkins dando-lhe apoio. Durante seu último ano, ela fez mais duas apresentações na Europa antes de cair doente do coração e doença hepática em 1959. E foi presa por posse de heroína em seu leito de morte. Morreu no mesmo ano. O filme ‘Lady Sings the Blues’ de 1972 interpretado por Diana Ross ilumina a sua vida trágica e lhe deu muitos fãs de novas gerações. - Fonte: Pintando Musica

Boa leitura - Namastê

sábado, 21 de julho de 2018

Primeira gravação da Bossa Nova completa 60 anos

Em 10 de julho de 1958, João Gilberto imortalizava 'Chega de saudade' e criava um novo marco na música nacional.  Há 60 anos, 'Chega de Saudade' mudava a história da música brasileira, compacto que ficou marcado como o início da Bossa Nova. Em março de 1959 a gravadora Odeon pegou gancho e lançou o disco 'Chega de Saudade', do cantor, violonista e compositor João Gilberto que cantava baixinho e discretamente onde o acompanhamento do violão possuía uma batida e uma harmonia diferentes, abrindo novo caminho para a nova música. "Devo argumentar que isso é muito natural, é a bossa nova", dizia João Gilberto. A bossa nova lançou não apenas um estilo musical mas também uma constelação de novos compositores, letristas e instrumentistas. Antônio Carlos Jobim, Roberto Menescal e Carlinhos Lyra logo despontaram entre os representantes mais expressivos. Interessados inicialmente no jazz, único tipo de música popular que permitia uma execução instrumental evoluída, foram aos poucos colocando a técnica em função da música brasileira. Em termos musicais, a bossa nova evoluiu no sentido do desenvolvimento da criação melódica, as canções tornaram-se mais difíceis de serem entoadas, pois as complicadas incursões melódicas exigiam um encadeamento harmônico mais evoluído. Além disso a bossa nova trouxe a orquestração econômica, nascidas em apartamentos. No Samba de uma nota só, de Jobim e Newton Mendonça, o texto literário sugere os acontecimentos melódicos e a melodia comenta o texto. Humor, malícia ironia também estiveram presentes em Lôbo bobo de Bôscoli. O tom de protesto e o inconformismo era constante como em Terra de ninguém e Pedro Pedreiro. Sendo um movimento musical tecnicamente evoluído, a bossa nova não tardou a ultrapassar nossas fronteiras, assimilada rapidamente nos Estados Unidos. Com a vinda ao Brasil de Herbie Mann, Charles Byrd, Stan Getz e Zoot Sims, ela foi logo exportada. Aceita e praticada pelos melhores músicos americanos, entre eles, Frank Sinatra. Com a industrialização pelo show business e pela televisão, a bossa nova, sem perder o estilo intimista e rebuscado, abriu-se também para o grande espetáculo. Surgiram conjuntos vocais e instrumentistas de alto nível, entre eles, Zimbo Trio, Tamba Trio, Quarteto em Cy, MPB-4, Conjunto Roberto Menescal, e novos compositores, cantores e instrumentistas, como Edu Lobo, Elis Regina e Baden Powell. O espetacular sucesso que consagrou definitivamente Elis Reginna, Baden, Edu e outros, foi o festival organizado pela TV Excelsior, de São Paulo, em 1965, em que Arrastão foi a música vencedora. Vários cantores já faziam sucesso no "tempo da bossa". Dos festivais seguintes saíram Chico Buarque, Nara Leão, Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Os Mutantes, Gal Costa, Rogério Duprat e muitos outros. Algumas das músicas mais famosas da bossa nova são: Chega de Saudade (João Gilberto), Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Águas de Março (Tom Jobim). Entre os ilustres cantores e compositores da bossa nova estão Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Gilberto, Elis Regina, Chico Buarque, Carlos Lyra, Nara Leão, Gal Costa, Caetano Veloso, entre outros.
Boa leitura e Namastê

quarta-feira, 18 de julho de 2018

1996 - Antonio Carlos Jobim and Friends - Tom Jobim

Artista: Antonio Carlos Jobim
Álbum: Antonio Carlos Jobim and Friends
Lançamento: 1996
Selo:   Verve Records
Gênero: Bossa Nova, Brazilian Song
Em 1993, um ano antes da sua morte, aconteceu o último concerto de Tom Jobim no Brasil. Gravado em São Paulo, durante o ‘Free Jazz Festival,’ várias feras do jazz como Herbie Hancock, Shirley Horn e Joe Henderson se juntaram para prestar uma homenagem ao amigo, que também participou do tributo. A platéia ouviu clássicos da bossa nova e o resultado foi o disco ‘Antonio Carlos Jobim and Friends’. O disco abre com Hancock sozinho ao piano. A pianista e cantora norte-americana Shirley Horn contagia. O jazz aparece liderado pelo saxofonista tenor Joe Henderson. O pianista cubano Gonzalo Rubalcaba aparece no arranjo para ‘Água de beber’. Gal Costa e Jon Hendricks são responsáveis pelos momentos cantados. Hendricks é responsável por um dos melhores momentos do show quando canta ‘Chega de Saudade’, que nos EUA se chama 'No More Blues'. Jobim tem seu momento intimista em ‘Luiza’ e finaliza comandando as feras na música ‘Wave’, uma das canções mais belas escrita pelo maestro. Fonte: Pintando Musica


Boa audição - Namastê

sábado, 14 de julho de 2018

Tom Jobim, um dos criadores da Bossa Nova

Antonio Carlos Jobim fez parte do núcleo embrionário da bossa nova. O disco ‘Canção do Amor Demais’ de 1958, de composições de Tom e Vinicius, cantadas por Elizeth Cardoso e acompanhadas, em algumas faixas, pelo violão de João Gilberto e orquestra é considerado um marco inaugural da bossa nova, pela originalidade das orquestrações, harmonias e melodias. A concretização da bossa nova como estilo musical veio logo em seguida com ‘Chega de Saudade’, de João Gilberto, lançado em 1959, com arranjos e direção musical de Tom, consolidando os rumos da bossa nova. Quando se pensa em qualidade e sofisticação musical, Tom Jobim é quase unanimidade. Pianista, compositor, cantor, arranjador, às vezes violonista, nasceu no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, depois a família mudou-se para Ipanema. Pensou em trabalhar como arquiteto, mas desistiu e resolveu ser pianista. No início dos anos 50, tocava em bares e inferninhos em Copacabana até que foi contratado como arranjador. Por essa época começou a escrever suas primeiras composições. As primeiras gravadas foram: ‘Incerteza' e Tereza da Praia’, esta última parceria com Billy Blanco e gravada por Lúcio Alves e Dick Farney, foi o primeiro sucesso. Tom foi um dos destaques do Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall, em Nova York em 1962. No ano seguinte compôs, com Vinicius, um de seus maiores sucessos e possivelmente a música brasileira mais executada no exterior: ‘Garota de Ipanema’. Neste ano e no posterior, a quantidade de clássicos produzidos por Tom é impressionante. O sucesso de suas músicas fora do Brasil o fez voltar aos EUA em 1967 para gravar com um dos grandes mitos americanos, Frank Sinatra. No fim dos anos 60, ganhou o primeiro lugar no III Festival Internacional da Canção da TV Globo com ‘Sabiá’, parceria com Chico Buarque. A canção conquistou o júri, mas não o público, que vaiou ostensivamente a música diante dos constrangidos compositores. Aprofundando seus estudos musicais, adquirindo influências de compositores eruditos, principalmente Villa-Lobos e Debussy, Tom Jobim prosseguiu gravando e compondo músicas vocais e instrumentais de rara inspiração, juntando harmonias do jazz e elementos tipicamente brasileiros, fruto de suas pesquisas sobre a cultura brasileira. Seu último CD, ‘Antônio Brasileiro’, foi lançado nos EUA, em 1994, pouco antes da sua morte. Entre os muitos discos de que participou, é difícil escolher os mais significativos, todos eles têm algo de inovador, de diferente e especial. Tom Jobim é um dos nomes que melhor representam a música brasileira na segunda metade do século XX.
Boa leitura - Namastê

quinta-feira, 12 de julho de 2018

1999 - Jazz Loves Brasil Volume 1 & 2 (2CD Set) - VA

Artista: VA
Álbum: Jazz Loves Brasil Volume 1 & 2
Lançamento: 1999
Selo: Classic Verve Latin Jazz
Gênero: Bossa Jazz, Latino Jazz
A leveza não estava limitada à melodia e ao canto. Na bossa nova, os temas tratados pelos jovens compositores estavam longe dos casos de amor mal resolvidos, traições e abandonos de lar. A mulher nunca estragaria a vida de um homem na bossa nova, ela sempre seria uma espécie de musa e nunca seria uma bandida que traiu e que fez o cara beber até a morte. O ano de 1959 foi considerado o ano marco da bossa nova com a gravação do disco 'Chega de Saudade', de João Gilberto. Nesse disco despontavam duas duplas de compositores, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli. O lançamento do LP definiu o que seria o novo estilo musical, até então não muito familiar aos ouvidos do público. Era uma interpretação suave, discreta, que contradizia o que vinha acontecendo antes com a interpretação dos cantores da Rádio Nacional. O canto ‘gritado’ foi transformado em uma voz suave acompanhada de uma melodia sofisticada, com influência e inspiração no jazz ‘west coast’ americano, no bolero mexicano e na música francesa, descendente de Maurice Ravel e Claude Debussy. Não esquecendo Chopin e Villa-Lobos. As letras eram poéticas e comportadas. A então capital do Brasil, o Rio de Janeiro da década de 50, era um lugar de encontros. Quase todos os componentes da bossa nova estavam na zona sul e quem não morava na região vinha de outros locais para as reuniões que eram realizadas no apartamento de Nara Leão, em Copacabana. Sendo o foco desse surto cultural, pessoas de outros Estados vinham para o Rio, como João Gilberto veio da Bahia, Sérgio Ricardo de São Paulo e João Donato do Acre. No Rio nasceu a bossa nova. (por vivian retz)
Boa audição - Namastê

segunda-feira, 9 de julho de 2018

2010 - CTI Records: The Cool Revolution Box Set - VA

 Artista: VA
Álbum: CTI Records: The Cool Revolution
Selo: Masterworks Jazz, Sony Music
Lançamento: 2010
Gênero: Jazz, Funk Jazz, Soul Jazz, Blues, Cool Jazz, 
Brazillian Jazz, Eletric Jazz, Fusion
Remasterizados pela primeira vez com os mestres originais este conjunto de quatro CDs celebra os anos de ouro da CTI, quando um estilo distinto nasceu. Cada disco representa um aspecto da personalidade artística da gravadora. Uma compilação simples que consiste em quatro discos temáticos, centrando-se nos anos da independente e próspera gravadora entre os de 1970 a 1976. O primeiro disco, ‘Straight Up’, não é nada se não jazz e destaca os puristas. O disco dois, ‘Deep Grooves / Big Hits’, apresenta algumas das reinterpretações mais notáveis da etiqueta e os cruzamentos criativos, incluindo o brasileiro Eumir Deodato na versão do poema sinfônico de Richard Strauss, ‘Also Sprach Zarathustra’ e a assombrosa e sensual interpretação de Esther Phillips em ‘What A Difference A Day Makes'. O disco três preserva o legado de Creed Taylor como a pessoa que trouxe a música brasileira para os EUA, quando ele estava com a ‘Verve Records’ nos anos 60. Lançamentos de Antonio Carlos Jobim, Astrud Gilberto, Eumir Deodato e Airto Moreira são exibidos, enquanto Turrentine na versão de ‘Salt Song’ de Milton Nascimento é acompanhado por uma orquestra arranjada por Eumir Deodato. Muito jazz cool e clássicos no quarto disco enfatizam a ligação da etiqueta com o passado e que alcançou relevância contemporânea. - Fonte: Pintando Musica.
Boa audição - Namastê


terça-feira, 3 de julho de 2018

CTI records: the cool revolution

A ‘CTI Records’ (Creed Taylor Incorporated) foi uma gravadora de jazz fundada em 1967 por Creed Taylor. Em 1970, o visionário produtor montou e desenvolveu uma lista histórica de artistas, apoiados por uma equipe criadora, chefiada pelo engenheiro de som Rudy Van Gelder. Inicialmente foi uma filial da ‘A&M Records’ e Don Sebesky, trombonista de jazz, foi o criador dos muitos arranjos para o rótulo, mais tarde se juntou a ele Bob James e, em seguida, em meados dos anos 70, David Matthews. Cada sessão contava com alguns dos melhores do jazz, o baixista Ron Carter, o guitarrista Eric Gale, organista Richard Tee e, nos primeiros anos, Herbie Hancock foi frequente ao piano. A ‘CTI Records’ trabalhou quase como uma companhia teatral, em que grandes músicos se revezavam no centro das atenções e acompanhavam uns aos outros. Os álbuns criados estabeleceram novos padrões e o sucesso imediato das gravações ecoou através das décadas, como uma profunda influência no jazz, pop, R&B e hip-hop. Suas produções para a ‘CTI Records’ ajudaram a estabelecer o ‘smooth jazz’ como um gênero musical comercialmente viável. O rótulo também se tornou conhecido pelas suas capas marcantes, algumas delas com imagens fotográficas de Pete Turner. Creed TaylorCreed Taylor já era importante na indústria da gravação a algum tempo. Ele tocou trompete antes de se tornar o chefe da ‘A&R Records’, em 1954, e durante dois anos registrou artistas como Carmen McRae e Charles Mingus entre outros. Em 1956, mudou para a ‘ABC-Paramount’, e em 1960 fundou a sua subsidiária ‘Impulse Records’. Apesar de ter assinado com John Coltrane para a gravadora, mudou para a ‘Verve Records’. Em 1970, na 'CTI Records' teve grande sucesso em equilibrar o artístico com o comercial. Entre os artistas que gravaram alguns de seus melhores trabalhos com Taylor durante este período foram Freddie Hubbard, Stanley Turrentine, George Benson e Hubert Laws. No entanto, as grandes gravadoras começaram a atrair os artistas de Taylor e embora ele fosse capaz de gravar com Chet Baker, Art Farmer e Yusef Lateef, problemas financeiros forçaram a gravadora à falência em 1978, que foi posteriormente adquirida pela Columbia. É lamentável que Creed Taylor tenha sido responsabilizado pelo fim da gravadora apesar da evidente traição de Hubbard, Turrentine, Benson e Laws cujos discos foram bastante inferiores nos outros rótulos às joias gravadas para a CTI. Depois de anos fora da cena, Taylor fundou uma nova CTI na década de 1990, que não conseguiu estabelecer a sua própria identidade como a antecessora. Fonte: Pintando Musica.
Boa leitura - Namastê

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Chet Baker: um anjo que desceu ao inferno

Chet Baker (1929 - 1988), figura mitológica do jazz, em grande parte por fatores extramusicais, o que não significa que sua música não seja extraordinária. Chesney Henry Baker Jr. nasceu em Oklahoma e foi criado em Los Angeles. De seu pai, guitarrista amador de bandas de country, além de herdar o nome herdou também o amor pela música; foi ele quem lhe deu um trompete quando fez treze anos, para que pudesse entrar para a banda do colégio. No entanto, Chet não gostava de estudar música. Aos dezessete anos saiu da escola e entrou para o exército. Transferido para Berlim tocou na banda militar e nesse período, na Europa, ouviu jazz pela primeira vez transmitido pela rádio do exército. Ao sair do exército vagou por Los Angeles ouvindo Miles Davis, Fats Navarro e participando de 'jam sessions' durante a noite. Estava se apresentando em Los Angeles quando ficou sabendo que Charlie Parker estava à procura de um trompetista para acompanhá-lo em sua turnê. A sessão de audição de Charlie Parker para a escolha de um candidato terminou quando ele ouviu o trompete de Chet Baker, então com 22 anos. Baker tinha grande afeição por Charlie Parker, por sua gentileza, honestidade e pela maneira como protegia os músicos da banda, tentando mantê-los longe da heroína que tanto lhe corroia. Em 1952, quando Gerry Mulligan começou a formar seu famoso quarteto sem piano, escolheu Baker, com quem já havia tocado em 'jam sessions'. A formação foi um sucesso incrível e durou cerca de um ano, até Mulligan ser preso por posse de heroína. Com a saída de Mulligan, Baker convidou o pianista Russ Freeman para substituí-lo. Após discussões envolvendo dinheiro o quarteto se desfez e Baker seguiu para a Europa. A turnê ia bem até a morte por overdose do pianista de 24 anos, Dick Twardzik. Sozinho, Baker permaneceu na Europa tocando com vários músicos. De volta aos EUA, começou a consumir heroína e foi preso. Resolveu voltar para a Europa onde viveu por quatro anos na Itália, foi preso, casou e teve um filho. Em 1964 voltou novamente aos EUA, agora dominados pelo rock dos Beatles. Restando pouco espaço para o jazz gravou discos comerciais de baixíssimo valor artístico. Época em que perdeu vários dentes em uma briga por heroína o que o levou a abandonar o instrumento de 1970 a 1973. Em viagem pelo Colorado ouviu Dizzy Gillespie tocar em um clube. Foi o início do seu retorno quando Gillespie ficou sabendo do seu esforço para voltar à cena musical e lhe arrumou uma temporada em New York. Chet Baker foi o músico cool por excelência, sendo um dos pais deste estilo, não apenas musicalmente, mas também na atitude de calculada indolência, que se tornou famosa. Um jeito que escondia a dura realidade: a devastadora dependência de drogas que fez com que durante décadas Chet Baker se visse em um labirinto infernal de crises pessoais, contratos interrompidos, brigas, internações e prisões. Sua aparência sofreu ao longo da vida uma transformação impressionante, devido ao uso de heroína e suas conseqüências. O outrora belo e jovem trompetista aos quarenta anos parecia estar com sessenta. Mas mesmo com tudo isso, milagrosamente, o gênio musical de Chet mantinha-se intacto como atesta a sua vasta discografia. Baker morreu em Amsterdã, de forma trágica e misteriosa, quando despencou da janela do hotel. Até hoje resistem muitas controvérsias sobre a causa de sua partida: suicídio ou acidente. Fonte: Pintando musica

sexta-feira, 1 de junho de 2018

1992 - Chess Blues (1947-1967) - VA (Boxset 4 CDs)

Álbum: Chess Blues (1947-1967)
Artista: VA
Lançamento: 1992
Selo: MCA Records.Inc
Género: Blues, R&B
Presente por vinte e um anos na história do blues urbano de Chicago, a ‘Chess Records’ entre 1947 e 1967 acompanhou um estilo musical que nasceu miserável no Mississippi com Muddy Waters e seus companheiros, que cresceu surpreendente e altamente influente e enviou sementes que germinaram em solo fértil em toda a América e em terras tão distantes como a Inglaterra. O álbum ‘Blues Chess’ é uma compilação incrível com artistas de renome e aqueles que desempenharam papéis de apoio por duas décadas de gravações contribuindo para o sucesso da gravadora. Uma lista impressionante de músicos que se apresentavam nos clubes de Chicago, como Muddy Waters, Howlin 'Wolf, Little Walter, Jimmy Rogers, Sunnyland Slim, Robert Nighthawk, Memphis Slim, Buddy Guy, Sonny Boy Williamson, Elmore James, John Brim, Henry Gray e JB Lenoir, entre outros. Gigantes do Chicago Blues, um estilo que muito contribuiu para o nascimento do rock and roll, e inúmeras outras formas de música.Fonte: Pintando Musical

Boa audição - Namastê

sábado, 26 de maio de 2018

Chess Records - grandes nomes rumo ao Blues


Dois meninos, Leonard e Philip Chez, com idades de onze e seis, chegaram a Ilha Ellis em 1928 na companhia da mãe, da irmã e de várias centenas de outros imigrantes da pequena aldeia natal perto de Pinsk na Polônia. Filhos de um pai carpinteiro que trabalhava no turno da noite em um depósito de sucata, Leonard e Philip Chez, cujo nome de família foi americanizado para Chess (xadrez) logo após a chegada nos EUA, foram enviados para as escolas públicas de Chicago. Eles rapidamente aprenderam o idioma e anos depois Phil entrou para o Exército na II Guerra Mundial, Leonard por ter contraído pólio na infância que o deixou coxo foi dispensado do serviço militar. Enquanto Phil estava ausente, Leonard investiu em vários empreendimentos comerciais desde um ferro-velho de seu pai a bares e lojas de bebidas. Foi a partir destes últimos que ele fez a transição decisiva para o clube ‘Macomba Lounge’. O ‘Macomba Lounge’ tinha entretenimento ao vivo, muitos desses artistas sendo do blues que haviam migrado para Chicago a partir do delta do Mississipi, nos anos 30 e 40. Os irmãos perceberam que as músicas desses artistas não estavam sendo devidamente registradas, de modo que decidiram eles próprios iniciar a gravação. O que acabaria por resultar, em 1947, na parceria com Charles e Evelyn Aron, proprietários do pequeno selo local chamado ‘Aristocrat Records', que tinham formado para gravar blues, jazz e rhythm & blues. O artista mais importante foi Morganfield McKinley, que viria a ser conhecido com Muddy Waters, com diversos singles de sucesso em 1947 e 1948. No final de 1949, Leonard e Phil Chess tornaram-se os únicos donos da ‘Aristocrat Records’ e em 1950 o nome foi mudado para ‘Chess Records’ que floresceu como gravadora independente. Com o sucesso de Muddy Waters, outros jovens bluesmen do Mississippi foram atraídos para Chicago, muitos se juntaram a banda de Muddy. Um dos músicos mais brilhantes foi Little Walter Jacobs, cuja gaita fez a banda ainda melhor. Em 1952, os irmãos Chess formaram uma etiqueta subsidiária chamada ‘Checker’ e Little Walter foi o primeiro a gravar. Sua primeira versão foi um instrumental chamado ‘Juke’ que liderou as paradas e depois com o vocal ‘My Babe’. Depois gravaram com um trabalhador agrícola chamado Chester Burnette, que ficou conhecido como Howlin 'Wolf e foi um dos bluesmen mais influentes na história, sua influência pode ser ouvida na música de muitos dos jovens britânicos e americanos nos anos 60 e 70. Macomba Lounge’Além de Muddy Waters, Howlin 'Wolf e Little Walter, a ‘Chess Records’ registrou muitos outros gigantes do blues do pós-guerra como Sonny Boy Williamson, Fulson Lowell, Memphis Slim, Jimmy Rogers, John Lee Hooker e Willie Mabon. Mais tarde, eles gravaram a próxima geração de artistas do Chicago blues, Buddy Guy, Little Milton e Koko Taylor. Em 1955, numa viagem de férias para Chicago, um jovem cantor e guitarrista de St. Louis chamado Chuck Berry conheceu Muddy Waters, que o encorajou a ver os irmãos Chess. Chuck Berry fez um teste para eles com uma canção que tinha escrito chamada ‘Ida Red’. Leonard e Phil gostaram do tema, mas sugeriram uma mudança no nome, a música foi renomeada como ‘Maybellene’ e se tornou o primeiro de seus muitos hits. Chuck Berry gravou com os irmãos Chess durante muitos anos produzindo hit após hit, incluindo muitas canções para o início do rock and roll. Outro cantor e compositor foi descoberto pela gravadora em 1955. Seu nome era Elias McDaniels, que tinha se mudado do Mississipi para Chicago com sua família. O teste dele foi também com uma canção própria, ‘Uncle John’. Novamente, os irmãos gostaram da música, mas desta vez não gostaram do nome do jovem, assim McDaniels mudou para o apelido que ele tinha usado como pugilista amador, Bo Diddley. Em 1956, a ‘Chess’ estabeleceu uma outra subsidiária, com etiqueta exclusiva de jazz, chamada ‘Argo’, dando estabilidade para artistas influentes do jazz como Sonny Stitt, James Moody, Yusef Lateef, Gene Ammons, Lou Donaldson, Lorez Alexandria, Ahmad Jamal e Ramsey Lewis. O catálogo de álbuns da ‘Argo’ era extensa, e continha o trabalho de Etta James, uma de suas melhores artistas do sexo feminino. Em 1965, o nome foi mudado para ‘Cadet’, devido à existência de outra gravadora chamada ‘Argo’, na Inglaterra. No mesmo ano, a ‘Chess’ começou a se interessar pela música de Nova Orleans, tendo Paul Gayten para representá-los lá. Também são muitas as gravações de música gospel, com uma série de sermões do reverendo CL Franklin, como também foram os primeiros a gravar com a filha do reverendo, Aretha Franklin, quando ainda adolescente. Durante os primeiros anos da gravadora 'Chess', Leonard e Phil Chess produziram a música que eles amavam. Eles eram a essência dos anos 50. ‘Chess Records’ era a grande gravadora americana de blues, e fica difícil entender o seu declínio e queda nos anos 60. Em 1969, a empresa sofreu um golpe devastador quando Leonard Chess morreu de um ataque cardíaco. Marshall, filho de Leonard, ainda tentou desesperadamente manter-se, mas o selo foi vendido para TAB, uma empresa que fabricava fitas cassete. A qualidade da produção diminuiu, e até 1972, os escritórios em Chicago ficavam vazios. Em 1975, o que restou da ‘Chess Records’ foi desmantelado e vendido para a ‘All Platinum Records’ de Nova Jersey. Quando os novos donos trouxeram as máquinas para derrubar o prédio de Chicago, foram destruídos 250.000 registros que tinham sido abandonados ali. É triste pensar em todas as músicas de Chuck Berry,
 Howlin 'Wolf, Little Walter, Bo Diddley, Etta James e Muddy Waters que foram levados para um aterro. Os registros foram destruídos, mas as fitas sobreviveram e são agora propriedade da MCA, que lançou a maior parte do material da ‘Chess’ durante os anos 1980 e 1990. Isso, combinado com o recente ressurgimento do interesse pelo blues em geral e de Chicago, em particular, garante que as futuras gerações de aficionados da música tenham a oportunidade de ouvir e aprender com os mestres do passado. - Fonte: Pintando musical
Boa leitura - Namastê

sábado, 19 de maio de 2018

1997 - The Blue Box: Blue Note's Best - VA



Artista: VA
Lançamento: 1997
Selo: EMI Music Canada
Género: Jazz, Hard Bop, Bebop, Free Jazz
Esta compilação, produzida pela EMI no Canadá, é uma excelente maneira para se iniciar no jazz. É uma amostra da grande variedade de músicas e artistas de uma das mais prestigiadas etiquetas de jazz de todos os tempos. As gravações foram obtidas a partir da coleção ‘Best of the Blue Note Years’ de vários discos que a gravadora lançou nos anos 90. As gravações abrangem um período de mais de 50 anos, desde a gravação de Sidney Bechet, em 1939 com a seminal ‘Summertime’ a John Scofield, em 1993, com ‘Message to My Friend’. Naturalmente, quando se garimpa uma mina tão rica como a gravadora ‘Blue Note’, não é possível apontar apenas uma música clássica do jazz. No geral, essa coleção é para quem quer uma visão ampla do que fez a grande ‘Blue Note’. E para quem gosta de jazz é uma boa introdução de alguns dos mais importantes artistas do gênero.
Boa audição - Namastê

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Artista: VA
Lançamento: 2009
Selo: Blue Note Records 
Gênero: Jazz, Bebo, Hard Bob, Cool West, Free Jazz
Como parte da celebração de setenta anos da ‘Blue Note Records’, em 2009, o selo convocou jovens e experientes estrelas do jazz para executar composições ‘hard bop’, estilo estreitamente identificado com a gravadora nos anos 50 até meados dos anos 60. E assim foi gravado ‘Mosaic’. Uma curiosa coleção. Uma viagem nostálgica por canções famosas. ‘Mosaic’ é um título perfeito, peças assimétricas estabelecidas de forma organizada, intrigante e desigual. O CD 1 foi produzido pelo pianista Bill Charlap e líder do ‘Blue Note 7’, um septeto de jazz formado em 2008. O grupo é constituído por Peter Bernstein (guitarra), Bill Charlap (piano), Ravi Coltrane (saxofone tenor), Lewis Nash (bateria), Nicholas Payton (trompete), Peter Washington (contrabaixo), e Steve Wilson (sax alto, flauta). Bill Charlap é o único membro do grupo que assinou com a gravadora. No entanto, Ravi Coltrane tem ligações familiares importante com a ‘Blue Note’. Seu legendário pai, John Coltrane, gravou apenas uma sessão para o rótulo, ‘Blue Train’, mas foi um grande sucesso. ‘Blue Note 7’ é muito bem conhecido na cena do jazz em Nova York. O CD 2 é constituído pelas mesmas músicas, mas são as originais produzidas por Alfred Lion e interpretadas pelos magníficos artistas contratados na época.

Boa audição - Namastê

domingo, 6 de maio de 2018

Gravadora 'Blue Note Records'

A ‘Blue Note Records’ é uma gravadora norte-americana de jazz fundada em 1939 por Alfred Lion. O seu nome tem origem no termo de jazz e blues, blue note, que é uma nota musical que provém das escalas usadas nas canções de trabalho praticadas pelos povos afro-americanos. A característica musical resultante imprime um caráter de lamento à música podendo considerar-se que tenha surgido como uma consequência da dureza do trabalho nos campos. Consiste em criar uma nota que não consta na escala diatônica tradicional. Esta herança escalar migrou mais tarde para o universo jazzístico. A 'Blue Note Records' esteve desde cedo mais associada ao estilo 'hard bop', um gênero influenciado pelo rhythm and blues, gospel e blues, que desenvolveu-se durante as décadas de 1950 e 1960. Mas, a gravadora incluia também bebop, soul, blues, rhythm and blues e gospel. Horace Silver, Jimmy Smith, Freddie Hubbard, Lee Morgan, Art Blakey e Grant Green estavam entre os principais artistas da editora. Após a 2ª Guerra Mundial, no entanto, quase todos os músicos mais importantes gravariam para a 'Blue Note'.
Em 1925, aos 16 anos, Alfred Lion notou um cartaz de concertos para orquestra que aconteceria perto do seu local favorito de patinação no gelo em sua nativa Berlim, na Alemanha. Ele tinha ouvido muitos discos de jazz de sua mãe e começou a se interessar pela música, mas naquela noite do concerto a sua vida mudou. O impacto do que ouviu tocado ao vivo explodiu dentro dele como uma paixão e o fez partir para Nova York em 1928 onde trabalhou nas docas e dormiu no Central Park para chegar mais perto da música que tanto amava. Em 1938, Lion foi ver o concerto ‘Spirituals to Swing’ no Carnegie Hall. O poder e a beleza do piano ‘boogie woogie', um estilo de blues, caracterizado pelo uso sincopado da mão esquerda ao piano, dos mestres Albert Ammons e Meade Lux Lewis balançou e apoderou-se de sua alma. Exatamente duas semanas depois trouxe os dois pianistas para um estúdio de Nova Iorque para fazer algumas gravações. Eles se revezavam ao piano e a longa sessão terminou com dois duetos impressionantes. A ‘Blue Note Records’ finalmente tornou-se uma realidade e Alfred Lion construiu uma das maiores empresas de registro musical de jazz do mundo.
No final de 1939, o seu amigo de infância Francis Wolff saiu da Alemanha de Hitler com destino aos Estados Unidos. Ele encontrou emprego em um estúdio fotográfico e juntou forças com Alfred Lion no projeto ‘Blue Note’. No final dos anos 1940, o jazz havia mudado novamente, e Lion e Wolff já não podiam resistir mais ao movimento do bebop, uma das correntes mais influentes do jazz. O saxofonista Ike Quebec tornou-se um amigo íntimo e conselheiro para os dois. Logo eles estavam gravando Fats Navarro, Bud Powell, Tadd Dameron, Thelonious Monk, Art Blakey, entre outros. Lion e Wolff eram especialmente fascinados por Thelonious Monk e ajudaram a sua carreira em todos os sentidos possíveis. Apesar da resistência dos críticos musicais e das vendas fracas, eles gravaram com ele até 1952. O caso de Monk foi o primeiro grande exemplo do que Horace Silver descreveu em uma entrevista de 1980: 'Alfred Lion e Frank Wolff eram homens de integridade e realmente fãs de jazz. Deram a vários músicos a chance de gravar quando todas as outras gravadoras não estavam interessadas. E eles apoiavam o artista, mesmo que ele não estivesse vendendo quase nada.'
Em 1954, a ‘Blue Note’, partiu em direção a um sistema que foi muito semelhante a uma companhia de teatro usando um elenco de 'sidemen', músicos profissionais contratados para executar ou gravar com um grupo do qual não era um membro regular; e líderes que assegurassem a criatividade e a confiabilidade. Logo depois a gravadora colocou em movimento uma outra tendência do jazz. Seguindo o conselho de Babs Gonzales e outros músicos, Alfred Lion e Frank Wolff se aventuraram a ouvir um pianista da Filadélfia, que tinha abandonado o seu instrumento original e agora tocava um órgão Hammond no canto de um armazém alugado. E assim ouviram pela primeira vez Jimmy Smith em 1956, no seu primeiro show em Nova York. Descrito por Alfred como uma visão impressionante, um homem de rosto contorcido, agachado sobre o teclado em agonia aparente, os dedos em vôo e os pés que dançavam sobre os pedais. Um som que ele nunca tinha ouvido antes. Foi estarrecedor. Ao mesmo tempo, Wolff conheceu Reid Miles, um artista comercial, que era um devoto fã de música clássica. Miles se tornou o designer para o selo por 11 anos e criou gráficos maravilhosos para as capas dos discos. Os detalhes fizeram a diferença.
Na década seguinte a ‘Blue Note’ passou para um patamar mais elevado na indústria fonográfica. Com álbuns que foram sucessos inesperados, que tiveram longas estadias nas paradas pop além de continuar a sua tradição 'hard bop'. Alfred Lion permaneceu até meados de 1967, quando problemas de saúde o forçaram a se aposentar. Frank Wolff e Duke Pearson dividiram as tarefas de produção, mas o jazz foi se movendo para um novo ciclo de tempos difíceis, economicamente e artisticamente. A cena não fornecia um ambiente no qual poderia nutrir jovens talentos e se perpetuar. Frank Wolff se afastou da ‘Blue Note’ até sua morte em 1971. A gravadora conseguiu sobreviver através de um programa de reedições e material inédito. Esse programa sobreviveu até 1981. Em meados de 1984, foi contratado Bruce Lundvall para ressuscitar a etiqueta. E a ‘Blue Note’ renasceu. Fonte: Pintando Musica
Boa leitura - Namastê

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Ella Fitzgerald

Dizem que Ella Fitzgerald não tinha a profundidade emocional de Billie Holiday, a imaginação de Sarah Vaughan ou Anita O'Day, e a influência baseada no blues de Dinah Washington. E que ela era muitas vezes, apesar de brilhante, previsível. As críticas surgiram em parte devido a sua popularidade e ignoraram as suas contribuições. Ella Fitzgerald não só foi uma das pioneiras do ‘scat singing’, técnica extremamente inventiva da improvisação do jazz vocal com vocábulos sem palavras, sílabas sem sentido ou sem palavras que dá aos cantores a habilidade da improvisação para criar o equivalente a um solo instrumental usando a voz. Técnica aliás bastante eficaz para Ella Fitzgerald que tinha tendência para esquecer as letras das músicas. Além disso, era uma cantora despretensiosa cujas variações harmônicas nunca foram forçadas. Notavelmente, se destacou por sua interpretação sofisticada das canções de George Gershwin e Cole Porter. Afinal, Ella Fitzgerald foi essencialmente uma cantora de jazz ou uma cantora pop? Para muitos, foi indiscutivelmente a melhor cantora de jazz de todos os tempos, embora alguns possam votar em Sarah Vaughan ou, como eu, em Billie Holiday. Ella Fitzgerald, cuja voz magnífica, amplo repertório e estilo acessível de cantar apelou para ambas as platéias: do jazz e do pop. Sua abordagem ao repertório vocal é simples: ela mantém clássicos e acrescenta continuamente as melhores músicas do estilo pop. Ela estava entre os primeiros a integrar tanto a Bossa Nova como os Beatles em seu repertório na década de 60. Também gravou músicas mais contemporâneas, como ‘You Are the Sunshine of My Life’ de Stevie Wonder, um componente padrão do seu repertório. Suas gravações são reeditadas constantemente, trazendo sua música a novos públicos e ampliando seu círculo de admiradores. Na verdade, Ella Fitzgerald foi uma das cantoras de jazz mais emocionantes de sua época e, devido à naturalidade de seu estilo, tinha um apelo popular que se estendeu muito além das fronteiras do jazz.