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quarta-feira, 30 de março de 2011

Uma Volta a New Orleans na Era do Jazz - Pate I

Julho de 1937, By Dorothea Lange

New Orleans por volta de 1910. Entregador típico de leite e o Salão
de barbear. Detroit Publishing Company.

New Orleans por volta de 1910. Uma vista da H.A. Testard
Bicicletas
By Detroit Publishing Co.

New Orleans, cerca de 1937. Tortorich Restaurante,
Rua Real. By Frances Benjamin Johnston.

Rio Mississippi,1906 - Detroit
Publishing Company


Prédio de estátua de Nossa Senhora de Lourdes na 468 West, 143 Street,
NY, por volta de 1914. By George Grantham Bain Collection.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Billie Holiday & Louis Armstrong (New Orleans)


New Orleans. Music by Louis Alter, lyrics by Eddie Delange.
New Orleans (1947) by Arthur Lubin, with Louis Armstrong, Billie Holiday, Zutty Singleton, Barney Bigard, Kid Ory, Bud Scott, Red Callender & Charlie Beal.
Actors : Dorothy Patrick, Arturo de Córdova, Richard Hageman.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

As lentes de Art Kane sobre a perspectiva do Jazz

Eram cerca das 10 da manhã de um dia de Verão de 1958, na 126th Street, entre a Fifth e a Madison no Harlem, 57 músicos de Jazz, representando três gerações, posaram para a câmara de Art Kane (1925-1995), fotógrafo free lance da revista Esquire magazine (publicada em janeiro de 1959), que se tornou uma das mais famosas da história da música. Nela, figuraram três gerações de jazzmen que praticavam estilos tão próximos e diversos como dixieland, new orleans, swing, bop, cool e pós-bop, juntos no mesmo enquadramento, representam o traço de união entre todas as formas e estilos, algo que para Joe McPhee e companhia é muito importante. O documentário "A Great Day in Harlem" - 1994 de Jean Bach, um produtor de rádio de Nova York, contou a história por trás da foto em seu documentário "um grande dia no Harlem", que foi indicado ao Oscar em 1995. O filme conta a incrível história da foto, através de entrevistas com os personagens, detalhes de produção, o comportamento dos músicos e demais envolvidos, fotos alternativas e algumas imagens em filme feitas no dia da foto. Apesar de ser mais conhecido como um dos melhores retratistas norte-americano, das décadas de 60 e 70, Art Kane não é somente isso. Sua fotografia relata toda a mudança social e política da época, opinando, delatando e persuadindo com suas imagens simples e poderosas. Art Kane nasceu em New York em 09 de Abril de 1923. Durante a II Guerra Mundial, serviu à US Army na Europa. Aos 27 anos se graduou na Cooper Union School of Art e tornou-se diretor de arte da revista Seventeen. Deixou a revista em 59 e dedicou seu tempo totalmente à fotografia. Tenha um grande senso de cor e composição que vem de sua grande experiência e conhecimento da área de layout, impressão e artes gráficas. Ministrou vários workshops fotográficos pelo mundo; passou inclusive muito tempo no Brasil entre 1976 e 1977, trabalhando em um livro de fotografia para a Time-Life, gostando muito da terra tupiniquim como chamava carinhosamente o Brasil. Morreu com 69 anos em 03 de Fevereiro de 1995 e infelizmente nenhum destes workshops foram documentados em filme ou vídeo.

Curiosidades:
- A foto inspirou vários “covers” com outros grupos de pessoas (músicos, artistas, pessoas comuns), no mesmo local ou em outras cidades.
- Das crianças que aparecem na foto só uma foi identificada. Taft Jordan Jr, filho do trompetista Taft Jordan (10).
- No filme “o Terminal”, Viktor (Tom Hanks) fica preso no aeroporto de N.York quando se dirige a cidade com o objetivo de completar o sonho de seu falecido pai: obter os autografos de todos os músicos presentes na foto. Ele, um amante do jazz, encontra a foto em um jornal hungaro em 1958 e escreve para os músicos pedindo autografos. Ele recebe quase todos. Ao pai de Viktor Navorski só faltava a assinatura de Benny Golson (02).
- Em 1998, o poeta, escritor e fotógrafo Gordon Parks prestou a devida homenagem ao trabalho de Art Kane, reunindo na mesma rua, à mesma hora, rappers e músicos hip-hop. Chamou-lhe Another Great Day.
- Art Kane retratou Bob Dylan, Stones, Frank Zappa, Janis Joplin, The Who, Jim Morrison, Aretha Franklin e uma enormidade de modelos -como fotógrafo de moda. Mas nada que se compare ao que fez no Harlem. As revistas Vogue e Bazaar publicaram seus primeiros ensaios feitos com uma lente grande angular e efeitos produzidos com imagens prismáticas.



Músicos:
01 - Hilton Jefferson, 02 - Benny Golson, 03 - Art Farmer, 04 - Wilbur Ware, 05 - Art Blakey, 06 - Chubby Jackson, 07 - Johnny Griffin, 08 - Dickie Wells, 09 - Buck Clayton, 10 - Taft Jordan, 11 - Zutty Singleton, 12 - Red Allen, 13 - Tyree Glenn, 14 - Miff Molo, 15 - Sonny Greer, 16 - Jay C. Higginbotham, 17 - Jimmy Jones, 18 - Charles Mingus, 19 - Jo Jones, 20 - Gene Krupa, 21 - Max Kaminsky, 22 - George Wettling, 23 - Bud Freeman, 24 - Pee Wee Russell, 25 - Ernie Wilkins, 26 - Buster Bailey, 27 - Osie Johnson, 28 - Gigi Gryce, 29 - Hank Jones, 30 - Eddie Locke, 31 - Horace Silver, 32 - Luckey Roberts, 33 - Maxine Sullivan, 34 - Jimmy Rushing, 35 - Joe Thomas, 36 - Scoville Browne, 37 - Stuff Smith, 38 - Bill Crump, 39 - Coleman Hawkins, 40 - Rudy Powell, 41 - Oscar Pettiford, 42 - Sahib Shihab, 43 - Marian McPartland, 44 - Sonny Rollins, 45 - Lawrence Brown, 46 - Mary Lou Williams, 47 - Emmett Berry, 48 - Thelonius Monk, 49 - Vic Dickenson, 50 - Milt Hinton, 51 - Lester Young, 52 - Rex Stewart, 53 - J.C. Heard, 54 - Gerry Mulligan, 55 - Roy Eldgridge, 56 - Dizzy Gillespie, 57 - Count Basie,

Fontes: www.harlem.org ,www.artkane.com & www.a-great-day-in-harlem.com .
Boa leitura - Namastê.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Ornette Coleman - Discografia

Saxofonista americano, nascido em Fort Worth, Texas EUA, em 09 DE março de 1930, sempre se mostrou um grande genio do jazz, tendo suas composições consideradas polênicas em estilo de vanguarda. Auto-didata, aprendeu sax-alto sozinho ainda jovem onde o improviso caracterizou seus solos. Iniciou sua carreira tocando Rhythm and blues e bebop em sax tenor onde mais tarde, procurou sair da sua terra natal, empregou-se no espectáculo itinerante de variedades Silas Green from New Orleans. Em uma noite, depois de um espectáculo em Baton Rouge foi atacado de forma surpriendente por um desconhecido e o seu saxofone foi literalmente destruído. Isso infureceu mais sua ira e então mudou para o saxofone alto que se tornou o seu instrumento principal. Juntou-se então à banda de Pee Wee Crayton, com quem foi para Los Angeles. Passou por varios empregos como musico não ortodoxo. Seguia mais o seu ouvido relativo do que o bem comportado temperamento igual. O seu sentido de harmonia e progressão de acordes - muito menos rígido do que o dos músicos de swing ou bebop - era flutuante e, por vezes, apenas sugerido e não explícito. Muitos músicos de Los Angeles consideravam-no desafinado e Coleman tinha dificuldades em encontrar outros músicos que pensassem como ele. O pianista Paul Bley foi um dos seus seguidores desde o início. Em 1958 realizou sua primeira sessão de gravação para o disco "Something Else!!!! The music of Ornette Coleman". Na esfera do free jazz, Colemam se destaca nos anos 1958 e 1960, tocado free de forma irrelevante em coparação a outros musicos. O manifesto dessa revolução é o álbum "Free Jazz" de 1960 pela Atlantic, uma improvisação coletiva de 38 minutos, cujos protagonistas são oito músicos, formando dois quartetos, sob o comando e inspiração de Ornette (além do quarteto do líder, Eric Dolphy, clarinete baixo; Freddie Hubbard, trompete; Scott La Faro, baixo; Ed Blackwell, bateria). Seus trabalhos de destaque fica por conta de "Free Jazz" de 1960 e a suite "Skies of America" de 1972. Apartir de 1960, Ornette Coleman alterou o curso da música criando a corrente do free com singular revolução e seguidores em todo canto, onde notadamente radicalizou desenpenho como lider pragmatico, ao lado de outros musicos que ainda esplorava o lado romântico do Cool, Hard e do Bop. Em 1980, a não menos legendária coleção da Editora Abril "Gigantes do Jazz" publicou, no fascículo dedicado ao mestre, um texto do prestigiado crítico italiano Arrigo Polillo, morto quatros anos depois. Ao fim do texto, escreveu ele: "Seja qual for o resultado de sua carreira, a contribuição que Ornette Coleman deu à música afro-americana já pode ser considerada mais do que relevante". Ornette influenciou virtualmente todos os saxofonistas e músicos de jazz da geração seguinte que admiram o seu esforço de descobrir, não só a forma do jazz, mas de toda a música que está para vir. Em 11 de Fevereiro de 2007 recebeu o Prémio Grammy pelo conjunto da sua carreira.

1958 - Something Else!!!!
1958 - Coleman Classics Vol. 1
1959 - Tomorrow Is the Question!
1959 - The Shape of Jazz to Come
1959 - Change of the Century
1960 - This Is Our Music
1960 - Free Jazz
1961 - Ornette!
1961 - Ornette on Tenor
1961 - The Art of the Improvisers
1961 - Twins
1961 - Beauty Is a Rare Thing
1962 - Town Hall
1965 - Live at the Tivoli
1965 - Chappaqua Suite
1965 - An Evening with Ornette Coleman
1965 - At the "Golden Circle" Vol. 1 & 2
1965 - Who's Crazy Vol. 1 & 2
1965 - The Paris Concert
1966 - Ornette Coleman: The Empty Foxhole
1967 - The Music of Ornette Coleman - Forms & Sounds
1968 - The Unprecedented Music of Ornette Coleman
1968 - Live in Milano
1968 - New York Is Now
1968 - Love Call
1968 - Ornette at 12
1969 - Crisis
1969 - Man on the Moon/Growing Up
1969 - Broken Shadows
1970 - Friends and Neighbors
1971 - Science Fiction
1971 - European Concert
1971 - The Belgrade Concert
1972 - Skies of America
1972 - J for Jazz Presents O.C. Broadcasts
1975 - To Whom Who Keeps a Record
1976 - Dancing in Your Head
1976 - Body Meta
1977 - Soapsuds, Soapsuds
1979 - Of Human Feelings
1983 - Opening the Caravan of Dreams
1983 - Prime Time/Time Design
1985 - Song X
1987 - In All Languages
1988 - Live at Jazzbuehne Berlin
1988 - Virgin Beauty
1991 - Naked Lunch
1995 - Tone Dialing
1996 - Sound Museum - Hidden Man & Three Women
1997 - Colors: Live from Leipzig
2006 - Sound Grammar

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A Great Day in Harlem - 1958

Eram cerca das 10 da manhã de um dia de Verão de 1958. na 126th Street, entre a Fifth e a Madison no Harlem, 57 músicos de Jazz, representando três gerações, posaram para a câmara de Art Kane (1925-1995), fotógrafo free lance da revista Esquire magazine (publicada em janeiro de 1959), que se tornou uma das mais famosas da história da música. Nela, figuraram três gerações de jazzmen que praticavam estilos tão próximos e diversos como dixieland, new orleans, swing, bop, cool e pós-bop, juntos no mesmo enquadramento, representam o traço de união entre todas as formas e estilos, algo que para Joe McPhee e companhia é muito importante. O documentário "A Great Day in Harlem" - 1994 de Jean Bach, um produtor de rádio de Nova York, contou a história por trás da foto em seu documentário "um grande dia no Harlem", que foi indicado ao Oscar em 1995. O filme conta a incrivel história da foto, através de entrevistas com os personagens, detalhes de produção, o comportamento dos músicos e demais envolvidos, fotos alternativas e algumas imagens em filme feitas no dia da foto.Apesar de ser mais conhecido como um dos melhores retratistas norte-americano, das décadas de 60 e 70, Art Kane não é somente isso. Sua fotografia relata toda a mudança social e política da época, opinando, delatando e persuadindo com suas imagens simples e poderosas. Art Kane nasceu em New York em 1923. Durante a II Guerra Mundial, serviu à US Army na Europa. Aos 27 anos se graduou na Cooper Union School of Art e tornou-se diretor de arte da revista Seventeen. Kane deixou a revista em 59 e dedicou seu tempo totalmente à fotografia. Kane tenha um grande senso de cor e composição, que vem de sua grande experiência e conhecimento da área de layout, impressão e artes gráficas. Ministrou vários workshops fotográficos pelo mundo; passou inclusive muito tempo no Brasil entre 1976 e 1977, trabalhando em um livro de fotografia para a Time-Life, gostando muito da terra tupiniqui como chamava carinhosamente o Brasil. Kane morreu em fevereiro de 1995 e infelizmente nenhum destes workshops foram documentados em filme ou vídeo.
Músicos: Hilton Jefferson - Benny Golson - Art Farmer - Wilbur Ware - Art Blakey - Chubby Jackson - Johnny Griffin - Dickie Wells - Buck Clayton - Taft Jordan - Zutty Singleton - Red Allen - Tyree Glenn - Miff Molo - Sonny Greer - Jay C. Higginbotham - Jimmy Jones - Charles Mingus - Jo Jones - Gene Krupa - Max Kaminsky - George Wettling - Bud Freeman - Pee Wee Russell - Ernie Wilkins - Buster Bailey - Osie Johnson - Gigi Gryce - Hank Jones - Eddie Locke - Horace Silver - Luckey Roberts - Maxine Sullivan - Jimmy Rushing - Joe Thomas - Scoville Browne - Stuff Smith - Bill Crump - Coleman Hawkins - Rudy Powell - Oscar Pettiford - Sahib Shihab - Marian McPartland - Sonny Rollins - Lawrence Brown - Mary Lou Williams - Emmett Berry - Thelonius Monk - Vic Dickenson - Milt Hinton - Lester Young - Rex Stewart - J.C. Heard - Gerry Mulligan - Roy Eldgridge - Dizzy Gillespie - Count Basie
Curiosidades:
- A foto inspirou vários “covers” com outros grupos de pessoas (músicos, artistas, pessoas comuns), no mesmo local ou em outras cidades.
- Das crianças que aparecem na foto, só uma foi identificada. Taft Jordan Jr, filho do trompetista Taft Jordan.
- No filme “o Terminal”, Viktor (o ator Tom Hanks) fica preso no aeroporto de N.York quando se dirige a cidade com o objetivo de completar o sonho de seu falecido pai: obter os autografos de todos os músicos presentes na foto. Ele, um amante do jazz, encontra a foto em um jornal hungaro em 1958 e escreve para os músicos pedindo autografos. Ele recebe quase todos. Ao pai de Viktor Navorski só faltava a assinatura de Benny Golson.
- Muitos anos mais tarde, em 1998, o poeta, escritor e fotógrafo Gordon Parks prestou a devida homenagem ao trabalho de Art Kane, reunindo na mesma rua, à mesma hora, rappers e músicos hip-hop. Chamou-lhe Another Great Day.
- Art Kane retratou Dylan, Stones, Frank Zappa, Janis Joplin, The Who, Jim Morrison, Aretha Franklin e uma enormidade de modelos - já que era, também, fotógrafo de moda. Mas nada que se compare ao que fez no Harlem. As revistas Vogue e Bazaar publicaram seus primeiros ensaios feitos com uma lente grande angular e efeitos produzidos com imagens prismáticas.
Fontes: www.harlem.org ,www.artkane.com & www.a-great-day-in-harlem.com .
Boa leitura - Namastê.


sábado, 29 de novembro de 2008

Roberto Muggiati - Improvisando Soluções

ENTREVISTA EXCLUSIVA - Roberto Muggiati

O blog JazzMan! tem a enorme honra de entrevistar o jornalista Roberto Muggiati, um dos mais importantes escritores e historiadores de jazz em nosso país.


Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)
Colaboração: Fernanda Melonio e Vagner Pitta

O jornalista curitibano Roberto Muggiati tem sido nos últimos anos uma verdadeira autoridade no que tange à difusão do jazz entre os brasileiros. Com diversas publicações sobre o gênero, Muggiati consegue mostrar ao leitor, com uma linguagem agradável e elegante, que o jazz não é nenhum bicho de sete cabeças e que está além de um simples gênero musical, podendo ser utilizado como fonte de inspiração para diversas situações e decisões ao longo da vida.

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Esta idéia é reforçada em seu último lançamento Improvisando Soluções: o Jazz como Exemplo para alcançar o Sucesso (Best Seller, 2008), onde o escritor cita diversos exemplos de jazzistas que superaram as mais variadas adversidades para impor a sua arte. Superação e improviso fazem parte da história e da estética do jazz, onde seus vitoriosos protagonistas transformaram vivências e sentimentos em uma arte espontânea, que permanece viva há mais de um século.

Roberto Muggiati estará no dia 05/12, em Curitiba, sua cidade-natal, para o lançamento do livro Improvisando Soluções: o Jazz como Exemplo para alcançar o Sucesso. Antes disso, ele generosamente nos concedeu a entrevista abaixo.

JazzMan!: O que foi que te chamou a atenção no jazz? Como foi o processo até se tornar um dos grandes escritores brasileiros do gênero?

Roberto Muggiati: Com pouco mais de dez anos de idade, ao ouvir naquelas velhas bolachas de 78 rotações-por-minuto os sons de Art Tatum, Nat King Cole, Louis Armstrong e Duke Ellington, percebi que aquela música era diferente das demais — era mais viva, mais inteligente, menos previsível e programada. Daí para o bebop de Charlie Parker e Dizzy Gillespie, para as invenções pianísticas de Bud Powell e Thelonious Monk, para o saxofone cool de Lester Young, foi a descoberta do jazz moderno, complementado depois pela escola da Costa Oeste (Stan Getz, Gerry Mulligan e Chet Baker, Shorty Rogers e seus grupos, a orquestra de Stan Kenton).

Como escrevia desde pequeno, a carreira enveredou para o jornalismo (e depois para os livros) e escrever sobre jazz — a música que amava acima de todas, foi um passo natural.

JM: Desde 2005 estamos tendo uma onda crescente de festivais de jazz pelo país. Os Festivais de Ouro Preto e Rio das Ostras já são reconhecidos como alguns dos melhores do mundo. Você acredita que prefeituras, produtoras e empresários estão descobrindo o poder do jazz?

RM: Com certeza. Você já ouviu falar dos festivais de Manaus, de Guaramiranga (no Ceará), de Joinville (Santa Catarina) e dezenas de outros “pocket festivals” nas capitais do Brasil. A maioria conta com patrocinadores públicos ou privados, indicação de que os marqueteiros descobriram finalmente o poder de penetração do jazz e a sua marca de qualidade e sofisticação.

JM: Como você avalia a difusão do jazz no Brasil?

RM: Ainda é pequena, apesar dos sites e blogs que existem. Mas publicações especializadas são raras, ou sazonais. Se você se der conta de que uma revista de uma grande editora sobre rock – a Bizz, da Abril – deixou de circular, a situação é ainda mais difícil para o jazz. Mas, graças principalmente à internet, o jazzófilo – como o jazzista – sabe se virar e encontra suas fontes de informação.

JM: No livro New Jazz: de volta para o futuro, você escreve a respeito de músicos que ficaram conhecidos como os Young Lions, surgidos nos anos 80 e 90 com a proposta de preservar uma tradição jazzística. Quais as diferenças entre essa geração mais recente e as anteriores, das décadas de 60 e 70, e quais as contribuições dos Young Lions para o futuro do jazz no século XXI?

RM: A geração dos irmãos Marsalis & Cia teve mais acesso do que as anteriores ao aprendizado não só do jazz, como da música em geral. (Muitos, como Wynton e seu irmão saxofonista Branford, são também exímios executantes do repertório erudito). Mas esta geração – embora toque admiravelmente bem – se viu condenada a uma releitura de todas as escolas do jazz que a antecederam, sem a capacidade de criar algo “novo”. (Este problema da criação do “novo” se aplica também a todas as outras artes: pintura, literatura, teatro, etc. — é uma espécie de característica da época, um momento, talvez, de apreender tudo o que já foi feito antes de começar algo novo, um momento de espera).

JM: O crítico inglês Stuart Nicholson, em seu livro Is Jazz Dead? (Or Has It Moved to a New Address), gerou polêmica ao dizer que o jazz europeu detém os reais inovadores do jazz contemporâneo, pois essa geração de Wynton Marsalis cristalizou o jazz em uma música baseada no tradicionalismo e esqueceram da necessidade de criatividade e inovação. Você concorda com as palavras de Nicholson?

RM: Nem o jazz morreu, nem se mudou para um novo endereço (a comunidade dos euros). Podemos dizer que se espraiou por uma série de novos endereços e, registre-se aí, além da contribuição européia, as contribuições latino-americana (Brasil, Argentina, Cuba, México), asiática (Japão, China, etc), africana e por aí vai.

JM: Como você avalia os músicos que surgiram a partir dos anos 2000? Qual a proposta da nova geração?

RM: É uma geração pulsante de talentos, experimentando todo tipo de formatos musicais e explorando todas as possibilidades no campo da instrumentação. A meu ver, um fato importante é a ascensão da mulher, não mais presa ao papel da crooner, mas competindo com os homens em instrumentos “viris” como o contrabaixo, a bateria, o trombone e o saxofone. Sem mencionar que a grande band-leader e orquestradora da década é uma mulher, Maria Schneider.

JM: Fale-nos um pouco sobre o Improvisando Soluções, seu mais recente livro. Como surgiu a idéia de escrevê-lo?

RM: Como eu relato no próprio livro, a idéia tomou corpo a partir de um curso que dei em Porto Alegre em fevereiro de 2006, no Espaço Cultural Santander, sobre os Cem Anos do Jazz, três palestras de três horas que tiveram a ocupação da sala completa, incluindo homens e mulheres nas faixas etárias de 16 a 80 anos. A receptividade deste público de quase cem pessoas me despertou a idéia de escrever um livro sobre “vivências do jazz”, sem elaborar demais na parte técnica ou musical, mas enfatizando as lições de vida dos mestres do improviso.

JM: Neste livro, você relata uma passagem em que o jazz o salvou de um suicídio. Em algum outro momento o jazz o influenciou em outras decisões importantes?

RM: Não só nesta ocasião crítica, mas em situações do dia-a-dia, o jazz sempre contou muito em minha vida — na tentativa de tocar saxofone, estudando dez anos com o Mauro Senise, como na cobertura de shows e festivais, na descoberta de novos álbuns dos grandes mestres e também de músicos “menores” porém altamente significativos. O jazz sempre atuou no meu mecanismo de memória como a famosa “madeleine” proustiana, cada época ou momento de minha vida amarrado a esta ou aquela música. Basta ouvir hoje, por exemplo, Sarah Vaughan cantando Over the Rainbow acompanhada do saxofonista Cannonball Adderley que eu viajo na máquina do tempo até aquele ano mágico de 1958, meio século atrás, e revivo exatamente o que eu fazia, o que eu sentia na ocasião.

JM: Você cobriu o Festival de Montreux (1985 a 1988) e a maioria das edições do antigo Free Jazz. Quais as lembranças mais marcantes destes festivais?

RM: Existem os punti luminosi, como as apresentações de Hermeto e o dueto de Hermeto com Elis (1979), de João Gilberto (1985), a volta de Miles Davis aos palcos (1985), tudo isso em Montreux, a big band de Gil Evans no Hotel Nacional, o show grátis de Sonny Rollins no Parque da Catacumba, no Rio, a entrevista exclusiva de uma hora com Chet Baker e sua apresentação no primeiro Free Jazz, em 1985; a Mingus Band com Elvis Costello no MAM; ali mesmo, o conhecimento dos novos talentos de Terence Blanchard, Nicholas Payton, James Carter, John Pizzarelli, a comovente apresentação de Michel Petrucciani no Hotel Nacional; e, também ali, a do veterano violinista Stephane Grappelli; a maestria de veteranos como Lee Konitz, Art Farmer e Johnny Griffin. Rever Griffin (no Rio) e Dexter Gordon (em São Paulo 1980 e Montreux 1986) foi viajar de volta a Londres em 1962-63, quando eles passaram cada um um mês inteiro no Ronnie Scott's Jazz Club. Dizzy Gillespie e sua United Nation Orchestra no Free Jazz. Enfim, são momentos marcantes de música, que a gente não esquece jamais.

JM: Uma última pergunta para descontrair: no hino do Flamengo há os versos que dizem: "Eu teria um desgosto profundo/Se faltasse o Flamengo no mundo...". Se fosse o jazz que faltasse, como seria?

RM: Eu teria um desgosto profundo se o jazz faltasse, mas isso nunca vai acontecer. A propósito, há uma cantoria que rola nos estádios brasileiros entre as torcidas que é puro jazz, o refrão de When the Saints Go Marchin' In — tararará, tararará, tararará-rá-rá-rá-rá, tarará, tará, tarára, tarará, rá-rá-rá-rá! Repito a você a pergunta que até hoje ninguém me respondeu: como foi que está canção de New Orleans veio parar nas arquibancadas do Maracanã? Tenho a minha teoria: ela chegou através das charangas, aquelas bandinhas de torcida, como a famosa banda do Bangu e a Charanga do Flamengo, que captaram When the Saints através de discos ou até através das apresentações pela rádio e TV do incrível Booker Pitman. É um mistério digno de uma profunda pesquisa. Quem se habilita? JM

Título: Improvisando Soluções
Autor: Roberto Muggiati
Editora: Best-Seller
Ano: 2008
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terça-feira, 5 de outubro de 2010

New Orleans, 1947


Louis Armstrong, Billie Holiday a e os membros da banda de Barney Bigard, Kid Ory, Zutty Singleton & Red Callander tocando "Where the Blues Were Born,"

sábado, 10 de julho de 2010

Billie Holiday & Louis Armstrong - Farewell to Storyville



Fragmento do filme "New Orleans", dirigido por Arthur Lubin em 1947. Esta é a parte mais triste do filme, porque todo mundo é obrigado a deixar a cidade que aprenderam a chamar de casa como anuncia a música.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Lady Day- The Complete Billie Holiday on Columbia (1933-1944)Vol 06

Lady Day - Fragmentos as Portas do Inferno

No auge da fama em 1941, Billie casou-se com Jimmy Monroe. Foram os constantes casos de Monroe com outras mulheres que fizeram com que Billie compusesse uma de suas mais belas canções, Don’t Explain, escrita depois de ver o marido chegar em casa com a roupa manchada de batom. Billie diz que este casamento desastrosos foi um dos motivos pelo qual começou a fazer uso de heroína. Já era alcoolatra, fumante de nicotina e maconha e uso das drogas pesadas com ópio, heroína e das outras que se tornaram populares nos anos 40. “Quando eu estava muito louca, estava muito louca e ninguém me causava problemas. Nem os tiras, nem o imposto de renda, ninguém. Os problemas surgiram quando tentei largar.” Billie pediu ajuda para Joe Glaser e Tony Golucci (seu patrão no Famous Door). Eles lhe emprestaram um dinheiro e Billie internou-se por semanas em uma clínica de reabilitação, havia pedido sigilo absoluto e tudo parecia dar certo mas a informação vazou. Em 31946 contracenou ao lado de Louis Armstrong em um filme chamado New Orleans onde interpreta uma criada. Não foi fácil para a famosa e bem sucedida Lady Day aceitar esse papel, afinal ela já havia mesmo trabalhado como criada e havia lutado a vida toda para nunca mais ser criada de ninguém. “Depois de ter ganho mais de um milhão de dólares, me estabelecido como uma cantora de bom gosto e dignidade, era realmente uma merda ter que ir para Hollywood para acabar fazendo uma empregadinha de faz-de-conta” disse. Quando finalmente foi assistir o filme, aí sim ficou decepcionada. Havia tantos cortes com ela mal aparecia! Nunca mais fez outro filme. Depois da decepção com o filme, a recente morte da mãe e dependência das drogas o que mais falta?. Lady estava sendo perseguida pela polícia desde que havia deixado a clínica, já fazia um ano. Quando terminou a ultima apresentação da temporada no Clube Onyx, na filadélfia em maio de 1947, pegou um táxi e dirigiu-se ao Grapion Hotel, onde dois agentes já a aguardavam no sagão com um mandato de prisão. Dessa vez ficou presa por cerca de 1 ano no Reformatório Federal Feminino de Alderson, West Virginia, onde sofreu crises terríveis de abstinência e chegou até a fabricar, escondido, uísque com cascas de batata fermentadas, mas era tão fedido que Billie foi obrigada a abandonar a prática para que não fosse descoberta. Quando finalmente deixou a prisão, Lady não parou de ser perseguida. Teve que amargar até o fim de sua vida a total proibição por parte da polícia de se apresentar em qualquer clube de Nova York, o que em muito prejudicou sua carreira. Os anos 50 foram de prisões regulares, perda da carteira de motorista, perda de registro profissional. Não podia mais cantar em locais onde havia venda de álcool, ou seja, fecharam-se as portas da carreira ao vivo, mas a venda dos discos garantia uma boa qualidade de vida no plano material. A partir de 1957 as drogas e o álcool detonaram a matriz vocal que se tornou mais e mais rouca e arrastada. De fevereiro de 1958 a maio de 1959, em Londres, ainda participou do Chelsea At Nine Show. De volta aos Estados Unidos, com graves problemas cardíacos e hepáticos, ficou em prisão domiciliar por porte de drogas, outra vez. O desfecho não poderia ser outro. Com o fígado e o coração em frangalhos, Billie morreu na manhã de 17 de julho de 1959. Os capítulos finais de sua vida foram lamentavelmente dignos de uma trajetória marcada pela pobreza, pela perseguição policial e pela tragédia: Billie não viveu o suficiente para apreciar a avalanche de livros, biografias, ensaios, teses de mestrado, textos explicativos em CDs, críticas, discografias, filmes (como o de 1972, estrelado por Diana Ross), referências em obras sobre jazz e documentários de tv. Dicção perfeita, mesmo nos tempos finais quando precisava ser amparada para cantar, o estilo inconfundível, a criatividade na improvisação compensavam a gama vocal limitada. A persona non grata” tornou-se uma deusa, um mito, a melhor vocalista do século XX.

Georgia on My Mind

Body and Soul



Sidemen:
Lester Young - Sax Tenor
Ben Webster - Sax Tenor
Johnny Hodges - Sax Alto
Artie Shaw - Clarinete
Benny Goodman - Clarinete
Roy Eldridge - Trompete
Teddy Wilson - Piano & outros....

Faixas

01. Some Other Spring
02. Our Love Is Different
03. Them There Eyes
04. Swing, Brother, Swing
05. Night And Day
06. The Man I Love
07. You're Just A No Account
08. You're A Lucky Guy
09. Ghost Of Yesterday
10. Body And Soul
11. What Is This Going To Get Us?
12. Falling In Love Again
13. I'm Pulling Through
14. Tell Me More-More Then Some
15. Laughing All My Life
16. Time On My Hands (You In My Arms)
17. I'll All For You
18. I Hear Music
19. The Same Old Story
20. Practice Makes Perfect
21. St. Louis Blues
22. Loveless Love
23. Let's Do It Again
24. Georgia On My Mind

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Boa audição - Namastê.





sábado, 12 de junho de 2010

Lady Day: The Complete Billie Holiday on Columbia (1933-1944)Vol 02

Gardênia no cabelo

Um manda-chuva do showbiz da época, impressionado com uma jovem cantora queria que ela fosse contratada pelo Lafayette Theatre, uma grande casa noturna de Nova York animada pelas big bands em dias de depressão e lei seca. Tentando convencer o dono do teatro, ele ouviu a pergunta sobre o estilo da moça. Não conseguiu responder e depois de algumas tentativas de definição, desistiu: “Não sei o que é mas você tem de ouvi-la”. A cantora que já no começo de carreira escapava a rótulos e magnetizava os ouvintes era a única e maravilhosa Billie Holiday. Depois de ser ouvida pelo figurão, ela foi contratada para um programa badalado da casa, um dos muitos que fez. Billie pavimentou uma carreira de estrela com canções inesquecíveis e registros inigualáveis de standards. Para muitos a maior cantora de jazz de todos os tempos. Mas, passados 50 anos depois sua morte e certamente uma das maiores influencias vocais entre as cantoras americanas, não é de se admirar se alguém repetir a mesma sentença. “Não sei o que é, mas você tem de ouvi-la”. É preciso ouvir clássicos como Strange Fruit, Body and Soul, The Very Though of You, Yesterdays, My Old Flame e tantos, tantos outros na sua voz ligeiramente rouca, ao mesmo tempo sensual e emotiva, suave e marcante, além de um fraseado único, que nem as outras cantoras da orquestra conseguiam imitar. E os músicos continuavam pedindo para Billie ensinar-lhes... Lady Day, como seria apelidada, era realmente inclassificável. Com Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, formou a tríade das grandes cantoras de jazz. Ella e Sarah tinham extensão e recursos vocais formidáveis, além de terem redimensionado o swing, o bebop e o cool jazz. Billie que aprendeu a cantar de ouvido, principalmente na infância pobre em Baltimore, tinha o dom de revestir as músicas que interpretava com uma atmosfera bluesy – embora não fosse uma cantora de blues –, essencialmente triste e comovente. Por isso apreciava tanto o trompetista Lester Young, que conhecera em jam sessions com o instrumento “todo remendado com fitas adesivas e elásticos”. Lester era tão surpreendente quanto Billie, seus solos tão melancólicos que quando estavam juntos, pareciam dois instrumentos correspondentes: voz e sax . Foi Lester, inclusive, quem lhe deu o famoso apelido. O “duo” é um dos exemplos das boas parcerias que a cantora fez. Afinal não é qualquer um que tem no currículo gravações e apresentações com as orquestras de mestres como Count Basie, Benny Goodman (com quem fez sua primeira gravação, em 1933) e Artie Shaw. Foi longe a menina pobre que nasceu Eleanora Fagan, na Filadélfia. Era filha de um guitarrista e banjista, que se separou da mãe quando Billie ainda era bebê. Ela e a mãe sobreviveram de subemprego em Baltimore, ate decidirem mudar para Nova York, e se instalaram no Harlem. Foi lá que se envolveu com prostituição, segundo ela. Um dia, pra evitar o despejo saiu de casa e acabou fazendo um teste para dançarina de casa noturna. Um desastre. Mas o pianista com pena certamente do seu desespero perguntou se ela sabia cantar. A garota cantava por prazer mas não sabia que sabia. Saiu de lá com dinheiro para pagar o aluguel – e seu primeiro “contrato”. Daí, trilhou uma carreira de shows em clubes e fez suas primeiras gravações. Participou do filme New Orleans (em 1947), interpretando uma doméstica – e odiou! Em 1956, publicou a autobiografia Lady Sings the Blues. A ideia foi do marido, o mafioso Louis McKay. O objetivo era que a história chegasse aos cinemas, numa época de algumas cinebiografias de sucesso. Assim, o mercenário e violento McKay – mas que, justiça seja feita, tentou livrar Billie do vício da heroína – descolaria alguma grana. Mas o filme caso de uma Estrela só saiu em 1972. O papel principal foi para Diana Ross. Fome e amor – Nem Billie mesma sabia de onde vinha seu estilo. Dos discos de Bessie Smith e Louis Armstrong que, ainda garota, pagava para ouvir num dos bordéis de Baltimore, reduto do jazz, onde limpava escadarias das casas. “O que posso dizer? Cantar, no meu caso, nada tem a ver com elaborar, arranjar, ensaiar. É só me dar uma canção que posso sentir. Existem algumas canções que sinto tão intensamente que não aguento cantá-las, mas isso é uma outra história. Interpretar canções como The Man I Love ou Porgy não é mais do que sentar no chinês e comer pato assado (prato que ela adorava). Eu vivi canções como estas. Quando as canto, vivo-as de novo”, disse. Não à toa, várias músicas do seu repertório poderiam muito bem fazer parte da trilha sonora de sua vida. Don’t Explain foi feita depois que ela achou marcas de batom na camisa do primeiro marido, Jimmy Monroe. “Já me disseram que ninguém canta a palavra ‘fome’ como eu. Ou a palavra ‘amor’”, declarou Billie, cuja influência se espalhou pela música americana. Sua música vem carregada de experiências de uma vida trágica, que inclui violência sexual aos dez anos, amores conturbados, internações hospitalares e passagens pela cadeia. Morreu jovem, aos 44 anos, no dia 17 de julho de 1959, envelhecida pelo excesso de drogas e álcool, com saúde precária, voz prejudicada, pobre. Tinha menos de um dólar no banco. As enfermeiras acharam outros 750 dólares presos a sua vagina com fita durex que ela antes do último sacramento mandou entregar ao jornalista William Dufty, seu ghost writer (Escritor-fantasma, pessoa que tendo escrito uma obra ou texto, não recebe os créditos de autoria). O funeral, com 2,5 mil pessoas, foi pago por um fã rico, bem como um lugar para a sepultura. Talvez, descontente com a própria decadência, se pudesse escolher a música para cantar aquele momento, seria Please, Don’t Talk About Me When I’m Gone, uma canção de despedida amorosa que pode ser traduzida como “por favor, não fale de mim quando eu tiver partido”. Mas isso é impossível. ___________
Fonte: Joceval Santana - A Tarde Online.

Sentimental and Melancholy


If My Heart Could Only Talk


Sidemen:
Lester Young - Sax Tenor
Ben Webster - Sax Tenor
Johnny Hodges - Sax AltoArtie Shaw - Clarinete
Benny Goodman - Clarinete
Roy Eldridge - Trompete
Teddy Wilson - Piano

Faixas:
01. A Fine Romance
02. I Can't Pretend
03. One, Two, Button Your Shoe
04. Let's Call A Heart To Heart
05. Easy To Love
06. With Thee I Swing
07. The Way You Look Tonight
08. Who Loves You?
09. Pennies From Heaven
10. That's Life I Guess
11. I Can't Give You Anything But Lo...
12. One Never Knows, Does One?
13. I've Got My Love To Keep Me Warm
14. If My Heart Could Only Talk
15. Please Keep Me In Your Dreams
16. He Ain't Got Rhythm
17. This Year's Kisses
18. Why Was I Born?
19. I Must Have That Man
20. The Mood That I'm In
21. You Showed Me The Way
22. Sentimental And Melancholy
23. My Lost Affair

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Boa audição - Namastê.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Jonah Jones (1909-2000) Andy Gibson (1913-1961)

Jonah Jones, Andy Gibson & Shad Collins,
New Orleans - 1941.
Fotografado por: Milt Hinton


sábado, 6 de março de 2010

Eleanor Fagan Gough (Billie Holiday) 1915-1959

Louis Armstrong, Billie Holiday & Barney Bigard
no filme New Orleans, dirigido por Arthur Lubin de 1947 - Louisiana.
Fotografado por: Michael Ochs Archives

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Presa - Parte 1/3

Ainda que nos anos 30, Billie pudesse decorar todas as palavras de uma canção após havê-las escutados somente duas vezes, já não é mais este o caso em 1946. No decorrer das gravações na Decca, Milt Gabler se da conta de que Billie esta tendo dificuldades para aprender novas canções e de que as sessões de gravações, desse modo, se tornam problemáticas. Não somente Billie continua chegando tarde com também precisa ensaiar muitas vezes um número novo, antes de poder interpreta-lo com a sua habitual qualidade vocal. E ainda precisa ter uma garrafa de conhaque ao alcance das mãos – “Para adoçar a garganta”, diz ela. As horas simplesmente se tornam moeda corrente. O orçamento raramente é respeitado. Certas vezes as gravações têm até mesmo de ser interrompidas, porque Bille não esta se sentindo bem. Ela desaparece no banheiro enquanto todos os músicos esperam, as horas passam e o diretor musical arranca os cabelos. Os rumores aumentam. Entre 1945 e 46 ela registra treze peças para a Decca. Lover Man e Don’t Explain, do mesmo modo que That Old Devil Called Love e Good Morning Heartche são escritas para ela por Irene Wilson e se tornarão momentos memoráveis. O sucesso de Lover Man, caracterizado pelo acompanhamento de um grande conjunto, retirou-a do circulo dos clubes e a conduziu logicamente para as salas de espetáculos. Em fevereiro de 1946 ela canta no salão nobre da prefeitura de Nova York, uma imensa sala, cheia a ponto de estourar. É a primeira vez que ela se apresenta como solista. A imprensa o qualifica com um grande evento. Um show inteiro baseado em uma única artista é coisa raríssima. Ainda que uma parte do palco tenha sido separada para cadeiras, isso não é suficiente para acolher todos os que se apresentam nas portas. Um milhar de fãs permaneceu de fora. É uma noite inesquecível em que Billie, com sua capacidade de reagir perante as grandes ocasiões, demonstrou um grande profissionalismo e deixa florar todo o seu talento. A crítica musical lhe presta homenagem e a maior parte dos jornais diários celebra o acontecimento. Acompanhada pelo quinteto de Joe Guy, Billie interpreta dezoito canções, entre as quais suas próprias composições: Fine and Mellow, Billie´s Blues, Don’t Explain e God Bless the Child. Sem contar com Strange Frutt, são essas canções inextricavelmente ligadas á sua personalidade forte. Sempre que Billie canta, transmite o sentimento de que esta se entregando. Sua voz permanece interior, uma pequena voz íntima que só se dirige a ela ainda que esteja no meio de duas mil pessoas. Quando Ella Frizgerald canta que seu homem partiu, a gente pensa que ele foi até a esquina comprar cigarros; quando é Billie, todos compreendem que ele nunca mas voltará. O sucesso obtido no Town Hall a leva a apresentar-se em outras grandes salas de espetáculos: Eaton Hall, Apollo e duas vezes em abril e maio no Carnegie Hall a pedido de Norman Granz que esta lançando agora em Nova York sai serie de espetáculos Jazz at the Philharmonic. Acompanhada entre outros, por Coleman Hawkins e Buck Clayton, ela reencontra seu querido Lester Young que teve más experiências durante a guerra. Julgado por insubordinação por um tribunal militar passou muitos meses em um campo disciplinar, um acontecimento que despedaçou sei espírito. Mas nem por isso sei talento diminuiu. Norman Granz o leva a participar de suas famosas turnês em companhia dos melhores instrumentistas. Uma noite no Downbeat Club, Billie encontra um jovem baterista branco, Roy Harte (Roy “The Kidd” Harte, 1924-2003) que esta substituindo o percussionista titular. Ao cabo de três semanas, eles se envolvem. Será ele que a fará descobrir uma nova droga sintetizada na Suíça em 1943: o LSD, distribuído sob a forma de pequenos cubos de cristais. Seu grande divertimento é passear de carruagem pelo Central Park após terem dado um desses pequenos “cubinhos de açúcar” a cavalo. Ofegante, esbaforido, cocheiro tenta dominara o animal, tapando-o de desaforo. Os dois amantes se retorcem de tanto rir. Esta não é uma ligação permanente, é mais um passatempo agradável. Eles vão passar alguns dias em Miami e experimentam os olhares de desprezo e as grosseiras recebidas nos bares e restaurantes. Decidem partir para Cuba. Férias, finalmente! Eles podem passear de mãos dadas ao sol ou jantar juntos em um restaurante sem a menor segregação. Na praia, Roy toca flauta. Billie canta tudo que ele pede. Um parêntese maravilhosos em que ela se surpreende a cada dia por gozar dessa felicidade roubada. Nessa ilha esplêndida, eles fazem amor muitas vezes. “– Não precisa ter o menor cuidado- diz ela – Meus ovários estão fodidos.”. Para Roy é uma experiência esmaltadora. A primeira negra de sua vida é uma star, uma mulher livre, uma mulher que ele admira. Harte recorda que Billie tinha o habito de gritar quando fazia amor, “Me usa, me usa!” em vez de “Me beija!”. Ele lhe pergunta o que ela queria dizer com isso. Ela respondeu que ser usada lhe dava um sentido para a vida. Estranha concepção que esclarece seu comportamento ambivalênte. Ter medo que abusem dela e ao mesmo tempo provoca-lo de todas as maneiras possíveis, ate que ela mesma conseguisse experimentar uma excitação sexual. Segundo Roy, Billie era muito voltado para a sexualidade. Mas tarde ele diria que sempre era o primeiro a fatigar. Ela parecia satisfeita, mas alguma coisa faltava, alguma coisa não funcionava totalmente bem... Do mesmo modo que Billie Dove (1903-1997), que havia encantado sua infância, ela sonhava em fazer cinema. Hollywood, seu glamour e suas stars a fascinavam. Já em 1942, por iniciativa de sua amiga Lena Horne (Lena Mary Calhoun Horne 1917- 2010), Billie tinha sido apresentada para aparecer em um filme da Warner Brothers. Ela chegou a ir a Hollywood para um teste, mas ele não tinha levado a nada. Em setembro de 1946, Billie parte para Los Angelis. Joe Glaser lhe conseguira um contrato com a United Artists. Um papel e um filme de Arthur Lubin (Arthur William Lubovsky, 1898-1995, diretor de cinema judeu de origem russa), New Orleans. Para essa ocasião, Glaser lhe pediu para fazer um regime e ajeitar os dentes. Esse filme segundo ele lançaria sua carreira cinematográfica. E Billie não tinha ficado nem um pouco descontente com a possibilidade de tocar no Santo Graal hollywoodiano. O filme perfeitamente de acordo com suas cordas vocais era o de uma cantora de Nova Orleans; a historia relatava o fim da Storyville, o legendário bairro da musica negra. Tratava-se também de uma homenagem ao Jazz, destinada a reunir a fina flor dos músicos, aqueles que fizeram a notoriedade da cidade, Louis Armstrong, Kid Orr, Barney Bigard, Zutty Singleton e a celebre orquestra de Woody Herman. O cenário é pouco artificial e sem profundidade, ao gosto das comedias musicais hollywoodianas da época. Billie cai das nuvens. Ela que sempre lutara para não ser a rainha, ela que soubera impor o seu talento a rainha da Ria 52, Lady Day se encontrava agora no papel de uma criadinha de comedia, servil e obediente. Ainda que lhe gabem a dicção perfeita e a qualidade de seu fraseado, ela é forçada a tomar lições com um professor de dicção que lhe ensina a falar um “inglês de negrinha”, com sotaque mais piegas possível. “Sim, Iaiá Marylee; ás sua orde, sinhazinha Marylee...” . Quanto a Louis Armstrong, ele não tem melhor sorte, é encaixado no papel de “negro de alma branca”, respeitoso, um domestico fiel e bondoso. Só lhe pedem que sorria todo tempo, se possível até enquanto toca o pistão....(continua)

Artista: Billie Holiday
Album: Holiday For Lovers
Lançamento: 2002

Faixas:
1. Moonlight In Vermont
2. I Didn't Know What Time It Was
3. Embraceable You
4. I Wished On The Moon
5. Gee Baby, Ain't I Good To You
6. Speak Low
7. April In Paris
8. Body And Soul
9. They Can't Take That Away From Me
10. One For My Baby (And One More For The Road)
11. Stars Fell On Alabama
12. We'll Be Together Again

Musicos:
Billie Holiday - Vocais
Barney Kessel - Guitarra
Ben Webster - Sax tenor
Harry "Sweets" Edison - Trompete
Jimmy Rowles - Piano
Larry Bunker, Alvin Stoller - Bateria
Producão: Norman Granz

Fontes: Capitol Studios, Hollywood, CA (08/14/1956-01/09/1957); Radio Recorders, Hollywood, CA (08/14/1956-01/09/1957).