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quarta-feira, 30 de julho de 2008

1969 - Bitches Brew

Em meados dos anos 60, existia uma rixa (indireta) entre o Jazz e o Rock. Enquanto os músicos de Jazz se ressentiam de perder sua estabilidade nas paradas pelos grupos de Rock (com os Beatles e os Stones só como exemplos óbvios), os músicos de Rock se ressentiam pelo que os jazzistas se colocavam diante deles, chamando-os de músicos de segunda classe ou de inexperientes demais. Se a partir de 1966/67, o rock começa a incorporar (muito lentamente) elementos jazzísticos em seu som, dando o pontapé inicial para o nascimento do que iria ser o Rock Progressivo, o jazz sofria com uma espécie de bloqueio em incorporar melodias ligadas ao Rythm n´blues e do folk em seu som, principalmente por acharem que assim, estariam dando uma espécie de atestado de que esse estilo precisava de mudanças. Muitos achavam que essa união de estilos seria longa, gradativa e dolorosa. Porém coube a Miles a tarefa de fazer essa união, e a mesma se deu de forma radical, grandiosa e genial. Davis, um conservador nato, cansado da mesmice estética do qual o jazz se encontrava, começou a estudar uma forma de criar um novo estilo, ou uma nova forma de se apresentar o mesmo ao público. Em agosto de 69, juntou um grupo de talentosíssimos músicos e decidiu juntar o jazz com elemento africanos, com o blues, com funk negro americano e batidas latinas. A partir daí nasceria um dos discos mais influentes, geniais e polêmicos da história da música, "Bitches Brew" , o nascimento de um novo estilo de jazz, o fusion, que seria uma das principais influências sonoras de boa parte do rock Progressivo na primeira metade dos anos 70. . Em seus quase 100 minutos, o que vemos é um artista desconstruindo e reconstruindo um estilo de forma genial. Temos a bombástica "Pharaoh´s Dance" e a antológica musica título, altamente introspectiva com algumas explosões sonoras. Miles utiliza o talento de seus músicos de forma quase obsessiva, seja pela empolgante "Sanctuary" ou mais especificamente em "Miles Runs the Voodoo Down", que mescla de forma impressionante o blues, o jazz e uma pitada de musica africana em seus 14 minutos de duração(percebam os solos de sax de Wayne Shorter e o de teclado de Corea de forma arrasadoras). O grande prazer de ouvir esse album é perceber que Miles além de só chamar músicos de primeira linha, fazia de bom usos deles, utilizando suas capacidades as vezes a exaustão (dizem que na faixa John McLaughlin, o excelente guitarrista ouvia poucas e boas de Davis por não utilizar todo o seu talento, aliás, também excelente). Ao ser lançado, o disco causou um estardalhaço, tanto pela crítica como pelo público. Ambos ficaram extremamente divididos, chamando o trabalho tanto de inovador e brilhante como de pretensioso e desnecessário, mesmo assim o album alcançou o top 10 americano, feito impressionante para um disco de Jazz. Para o rock Progressivo, o impacto não foi menor, muitos músicos de prog rock (Fripp, Wyatt, Wetton, Brufford, Collins, entre outros) afirmam que esse álbum influenciou e muito a direção musical que seguiriam posteriormente, e o próprio Meio progressivo viria a ser muito influenciado pelo fusion, com bandas incorporando esse estilo ao seu som (o Crimson de 1972-74 e o Soft Machine pós 1970). Miles após esse álbum, cairia em extremos ao explorar as possibilidades desse novo estilo, lançando os excelentes On the Corner (1972) e Get Up With (1974), mas sem o mesmo impacto comercial. Muitos afirmam que Sgt. Pepper´s foi o disco que mais influenciou o Rock Progressivo, mas esse album sem duvida não ficou atrás. "Bitches Brew", álbum duplo no qual dentro da transformação que marcava a música contemporânea na época, Davis não se assustou com a parafernália eletrônica e eletrificou sua banda, ao mesmo tempo que incluía um percussionista recém-chegado aos Estados Unidos, o catarina-curitibano Airto Guimorvan Moreira. "Bitches Brew", tal como o disco seguinte - "Live at the Fillmore East" (gravado no hoje desaparecido teatro-templo musical de San Francisco) foram álbuns de ruptura em sua carreira, separando-o de uma fase anterior, com raízes no bebop dos anos 40. Após cinco meses de gravação e estudo minuscioso de uma infinidade de rolos de fita, o resultado expressou o que Miles desejava: tornar “Pharaoh´s Dance”, “Bitches Brew”, “Spanish Key”, “John McLaughlin”, “Miles Runs The Voodoo Down” e “Sanctuary” obras abertas, sujeitas à novos diálogos. Essência do improviso jazzístico que é fundamento da música do século XXI. As gravações durante apenas três dias - 19, 20 e 21 de agosto - e foi impressionante a quantidade de música gravada. Sem contar, as discussões entre Miles e o produtor Teo Macero. Ao longo dos anos, Bitches Brew recebeu várias reedições. A primeira, em CD, trazia apenas uma canção extra: "Feio", de Wayne Shorter. Mas foi em 1998 que os fãs urraram de prazer quando foi editado - primeiro em um lindo estojo e depois em uma caixa retangular - Miles Davis - The Complete Bitches Brew Sessions que postarei em breve.

Musicos:
Miles Davis - Trumpete
Chick Corea - Teclados, piano
Wayne Shorter - Saxofone
John McLaughlin - Guitarra
Dave Holland - Baixo
Billy Cobham - Bateria
Airto Moreira - Percussão
Jumma Santos - Percussão

Faixas:
Disc - I
01 - Pharaoh's Dance
02 - Bitches Brew

Disc - II
01 - Spanish Key
02 - John McLaughlin
03 - Miles Runs the Voodoo Down
04 - Sanctuary
05 - Feio (Bonus Take)

Download - Here Parte I
Download - Here Parte II
Boa audição - Namastê

quarta-feira, 8 de julho de 2009

1970 - Live at the Fillmore East - Miles Davis

“Entre 1969 e 1970, acrescentei um percussionista brasileiro do Brooklyn chamado Airto Moreira. Airto estava nos Estados Unidos há alguns anos e tocara no conjunto de Cannonball Adderley com Joe Zawinul. Acho que foi Cannonball ou Joe que o indicaram (esqueci como encontrei Steve). Era um grande percussionista e passei a ter percussionistas no conjunto desde então. Ele me mostrou o que seu talento e som podiam fazer pro som de meu conjunto. Quando se juntou a nós tocava alto demais e não ouvia o que acontecia com a música. Mandei que parasse de bater e tocar tão alto e ouvisse um pouco mais. Aí durante algum tempo ele não tocou nada e tive de mandar que tocasse mais um pouco. Acho que ele tinha medo de mim e quando mandei que não tocasse tanto simplesmente o deixei confuso. Mas então ele passou a ouvir mais e quando voltou a tocar, tocava na hora certa. Durante essa época e nos cinco anos seguintes usei muitos músicos diferentes em meus discos (e também no grupo permanente) porque vivia buscando as melhores combinações. Usava tanta gente diferente que comecei a perder a pista de todos eles, mas tinha um grupo básico de músicos: Wayne Shorter (mesmo depois que ele saiu) e Gary Bartz, Steve Grossman, Airto Moreira, Mtume Heath, Bennie Maupin, John McLaughlin, Sonny Sharrock, Chick Corea, Herbie Hancock, Keith Jarrett, Larry Young e Joe Zawinul nos pianos e teclados elétricos; Harvey Brooks, Dave Holland, Ron Carter e Michael Henderson nos baixos; Billy Cobham e Jack DeJohnette na bateria; e três indianos – Khalil Balakrishna, Bihari Sharma e Badal Roy. E depois outros, como Sonny Fortune, Carlos Garnett, Lonnie Liston Smith, Al Foster, Billy Hart, Harold Williams, Cedric Lawson, Reggie Lucas, Pete Cosey, Cornell Dupree, Bernard Purdee, Dave Liebman, John Stobblefield, Azar Lawrence e Dominique Gaumont. Usei todos esses músicos em todos os tipos de combinações, uns mais que outros alguns uma vez só. Depois de algum tempo eles ficaram conhecidos no meio musical como “O Estoque de Músicos da Empresa Miles”. O som de minha música mudava tão rápido quanto eu mudava de músicos, mas eu ainda buscava a combinação que me desse o som que eu queria. Jack DeJohnette me proporcionava um certo clima profundo no qual eu adorava tocar, mas Billy Cobham me dava um som mais pro rock. Dave Holland tocava o baixo acústico e eu podia seguir atrás de um modo que não podia quando Harvey Brooks introduzia o som de seu baixo elétrico. O mesmo acontecia com Chick, Herbie, Joe, Keith e Larry. Eu via tudo isso como um processo de gravar toda aquela música, de registrá-la á medida que ela fluía de minha cabeça. Em 1970, me pediram que tocasse no espetáculo televisado de entrega dos Prêmios Grammy. Quando acabei o mestre-de-cerimônias Merv Griffin, correu pra mim agarrou meu braço e se pôs a falar aquela besteirada toda. Cara foi um vexame. Empurrei o babaca ali mesmo na frente da televisão ao vivo. O cara correu pra mim dizendo aquelas idiotices que dizem os apresentadores de televisão por não terem nada mais pra dizer e não saberem – ou não ligarem pra – o que estão fazendo. Falam apenas pra encher lingüiça. Eu não gosto dessa merda, e portanto depois disso não fui a muitos programas de entrevistas a não ser os de Johnny Carson, Dick Cavett e Steve Allen. Steve era o único dos três que sabia um pouco o que eu fazia. Pelo menos tentava tocar piano e fazia perguntas inteligentes. Johnny Carson e Dick Cavett não me mostraram nenhuma compreensão do que eu tentava fazer; eram caras legais, mas pareciam não saber nada de música. A maioria desses apresentadores de televisão apenas tentava se comunicar com alguns brancos cansados e velhos de algum lugar do qual ninguém ouvira falar. Minha música era demais pra eles, porque tinham os ouvidos acostumados a Lawrence Welk. Esses programas de entrevistas só punham um negro na televisão naquele tempo se ele sorrisse, bancasse o palhaço, como Louis Armstrong. Isso eles curtiam. Eu adorava o trompete de Louis, cara, mas odiava aquele seu jeito de sorrir pra ficar bem com alguns brancos cansados. Cara, eu odiava quando o via fazendo isso, porque ele era quente, tinha consciência negra era um homem realmente decente. Mas a única imagem que as pessoas têm dele é aquela sorridente da tv. Imaginei que se eu fosse a esses programas, teria de dizer aos sacanas que eles eram patéticos demais e sei que eles não iam querer isso. Portanto, na maioria das vezes eu simplesmente não ia. Depois de algum tempo até mesmo o programa de Steve Allen se tornou branco e idiota demais pra mim. Eu só ia ao programa porque Steve é um ser humano decente. E eu o conhecia há muito tempo. Mas ele queria me pagar apenas a tabela do sindicato pra eu tocar. Depois de algum tempo, deixei definitivamente de ir a qualquer desses programas e a Columbia acabou se irritando porque os via como um meio de vender mais discos. Logo após o funeral de Jimi Hendrix (setembro de 1970), Chick Corea e Dave Holland deixaram o conjunto e eu trouxe Michael Henderson pro baixo. Michael vinha tocando com a orquestra de Stevie Wonder e com Aretha Franklin. Conhecia as figuras do baixo que eu queria e fiquei muito feliz por tê-lo no grupo. Mas antes dele vir permanentemente, Miroslav Vitous fez umas duas apresentações como substituto de Dave. E então Gary Bartz substituiu Steve Grossman e eu me vi com um conjunto inteiramente novo. Eu abandonava os solos no som do grupo, passava mais pra coisa de conjunto como os grupos de rock e funk. Queria John McLaughlin na guitarra mas ele gostava do que estava fazendo no conjunto Lifetime, de Tony Williams. Consegui que tocasse conosco na Cellar Door, em Washington, numa apresentação que fizemos lá posteriormente naquele mesmo ano. As fitas que fizemos nessa ocasião foram mixadas no disco Live-Evil. A essa altura eu usava o tempo todo o wah wah no trompete pra chegar mais perto daquela voz que Jimi fazia quando usava o wah wah na guitarra. Sempre tocara o trompete como guitarra e o wah wah aproximava mais o som. Em 1971 fui escolhido o Homem de Jazz do Ano pela revista Down Beat e meu conjunto foi eleito o melhor do ano. Também me elegeram melhor trompetista. Não dou muito valor a essas coisas, embora saiba o que elas significam pra carreira de alguém. Não me entenda mal; estou feliz por ter ganho esses prêmios mas não é uma coisa que eu curta de fato. Airto Moreira saiu no início de 1971 e consegui o filho de Jimi Heath, Mtume, pra substituí-lo na percussão. Ficamos sem gravar por algum tempo porque é preciso deixar o conjunto se acostumar a tocar junto pra gravar alguma coisa. Caímos na estrada pra tentar nos entrosar. Mtume era maluco por história e eu o conhecia através de seu pai por isso conversávamos muito. Eu lhe contava velhas histórias e ele me contava coisas que tinham acontecido na história africana porque realmente curtia isso. Além do mais era insone como eu. Assim eu podia ligar pra ele às quatro da manhã, porque sabia que estaria acordado. Jack DeJohnette deixou o grupo no fim de 1971, mais ou menos na mesma época que Keith Jarrett. Eu queria que o baterista tocasse certos ritmos funk, um papel exatamente igual ao de todos no conjunto. Não queria que o conjunto tocasse livre o tempo todo, porque em minha cabeça me aproximava mais do funk. Ora, Jack tocava pra caralho como base, sabia realmente fazer isso, mas também queria fazer outras coisas, tocar um pouco mais livre, ser um líder, fazer tudo à sua maneira e por isso saiu. Experimentei Leon NduguChancler (que mais tarde tocou em discos de Michael Jackson e Stevie Wonder, na década de 80). Chancler foi pra Europa comigo no verão de 1971, mas não deu certo e quando voltei, Jack DeJohnette retornou pra algumas apresentações. O mesmo aconteceu com Billy Hart. Mas depois que Gary Bartz, Keith e Jack saíram, fui buscar meus músicos em grupos de funk, e não de jazz, porque era pra esse lado que estava indo. Esses caras foram os últimos de jazz puro que tive em meus conjuntos, até hoje.”
Miles - Autobiografia, pps 273 a 275, 279 a 281.
Reduzido a 07 integrantes de 11 musicos de excelente qualidade, Miles realizou quatro shows no Fillmore East de NYC, entre os dias 17 a 20 de junho de 1970. O produtor Teo Macero resolveu adicionar sua criatividade ao disco perfazendo colagens ao trabalho, recortando diversos temas apresentados durante a cada noite e montando uma única e longa faixa. O termo “ao vivo” fica no show de Miles, perfazendo uma coletâneas, nomeadas originalmente com o dia da semana em que foi realizado. Resultado é surprieendente ja que Teo era mestre na arte, mostra um grupo mais agressivo do que em Bitches Brew e tedencias bastante destinado ao fusion. Produzido por Têo Macero para a Columbia

Faixas:
Disco I
Wednesday Miles
01 - Directions
02 - Bitches Brew
03 - The Mask
04 - It’s About That Time
05 - Bitches Brew/The Theme

Thursday Miles
06 - Directions
07 - The Mask
08 - It’s About That Time

Disco II
Friday Miles
01 - It’s About That Time
02 - I Fall in Love Too Easily
03 - Sanctuary
04 - Bitches Brew/The Theme

Saturday Miles
05 - It’s About That Time
06 - I Fall in Love Too Easily
07 - Sanctuary
08 - Bitches Brew
09 - Willie Nelson/The Theme

Musicos:
Miles Davis - Trompete
Steve Grossman - Sax. Soprano
Chick Corea - Piano Eletrico
Keith Jarrett - Orgão Eletrico
Dave Holland - Baixo Acústico & Baixo Eletrico
Jack DeJohnette - Bateria
Airto Moreira - Percurssão & Cuica


Download Here - Click Aqui Part I

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Boa audição - Namastê.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Miles Daves 1926 - 1991


Apresento a discografia de Miles Davis em sua intega,depois de uma minuciosa busca e pesquisa, para uma visão geral do que foi realmente embaixador do trompete.Nota-se que existe uma variedade de gravadoras e selos independentes que ao longo de sua trajetória, formulou uma batalha na busca pelo artista, levando mudar constantemente de gravadora. As gigantes "Columbia,CBS,Prestigio,Blue Note e Sonny" brigam entre si na mais valia e na lei da melhor oferta por um Miles em seus catálogos de venda, concorrendo de lado com selos próprios de pequenas gravadoras.Ao longo de nossa jornada pelo farrofa moderna, pretendo postar essa discografia - salientando que ela não é definitiva - ,Já que existe uma variedade de lançamentos e reedição em vários paises como nomes diferentes.Espero que goste e comentem cada postagem, trazendo suas opiniõe se e críticas.

Discografia - Miles Davis

1945:
* Miles Davis - First Miles (Savoy)
* Charlie Parker Story (Savoy MG)
* Charlie Parker Memorial, Vol. 2 (Savoy)
* The Immortal Charlie Parker (Savoy)

1946:
* Charlie Parker - Yardbird in Lotus Land (Spotlite)
* Charlie Parker on Dial, Vol. 1 (Spotlite)
* Charlie Parker - Alternate Masters, Vol. 2 (Dial LP)
* Charles Mingus - The Young Rebel (Swingtime ST)
* Baron Mingus - God's Portrait c/w unknown title (not released) (Fentone)
* V.A. - Jazz Off the Air, Vol. 3 (Spotlite)
* V.A. - Boning Up the 'Bones (EmArcy)
* Billy Eckstine - Mr. B and the Band (Savoy)
* Billy Eckstine - The Love Songs of Mr. "B" (EmArcy)
* Billy Eckstine - I Surrender, Dear (EmArcy)
* Billy Eckstine - Blues for Sale (EmArcy)
* Miles Davis - Boppin' the Blues (Black Lion)

1947:
* Illinois Jacquet and his Tenor Sax (Aladdin)
* Charlie Parker - Encores (Savoy)
* The Genius of Charlie Parker (Savoy)
* Charlie Parker Memorial, Vol. 1 (Savoy)
* Coleman Hawkins/Howard McGhee/Lester Young - A Date with Greatness (Imperial LP)
* Charlie Parker - The Complete Savoy Studio Sessions (Savoy)
* Charlie Parker on Dial, Vol. 4 (Spotlite)
* Charlie Parker - The Bird Blows the Blues (Dial LP)
* Charlie Parker - Alternate Masters, Vol. 1 (Dial LP)
* Charlie Parker on Dial, Vol. 5 (Spotlite)
* Charlie Parker on Dial, Vol. 6 (Spotlite)
* Charlie Parker - Crazeology c/w Crazeology, II: 3 Ways of Playing a Chorus (Dial)
* Charlie Parker, Vol. 4 (Dial LP)

1948:
* Gene Roland Band featuring Charlie Parker - The Band That Never Was (Spotlite)
* Charlie Parker - Bird's Eyes, Vol. 6 (Philology)
* Charlie Parker - Bird on 52nd St. (Jazz Workshop)
* Charlie Parker (Prestige)
* Charlie Parker - Bird at the Roost, Vol. 1 (Savoy)
* Newly Discovered Sides by Charlie Parker (Savoy)
* Charlie Parker - The 'Bird' Returns (Savoy)
* Miles Davis - Nonet 1948 - Jam 1949 (Royal Jazz)
* Charlie Parker - Miles Davis - Lee Konitz (Ozone)
* The Persuasively Coherent Miles Davis (Alto AL)
* Hooray for Miles Davis, Vol. 1 (Session Disc)
* Charlie Parker - Bird's Eyes, Vol. 1 (Philology)
* Charlie Parker - Live Performances (ESP-Disk' ESP)
* Charlie Parker on the Air, Vol. 1 (Everest)

1949:
* The Metronome All Stars - From Swing to Be-Bop (RCA)
* Miles Davis - Birth of the Cool (Capitol)
* Miles Davis - The Complete Birth of the Cool (Capitol)
* V.A. - Tadd Dameron Big 10 and Royal Roost Jam (Beppo)
* Charlie Parker - Rara Avis Avis, Rare Bird (Stash)
* V.A. - Strictly Be-Bop: Capitol Jazz Classics, Vol. 13 "Be Bop Professors" (Capitol)
* The Miles Davis/Tadd Dameron Quintet in Paris Festival International de Jazz, May, 1949 (Columbia)
* Miles Davis/Tadd Dameron - Sensation '49: A Document from the Paris Jazz Festival 1949 (Phontastic PHONT)
* Charlie Parker - Bird in Paris (Bird in Paris CP 3)
* V.A. - Stars of Modern Jazz Concert at Carnegie Hall

1950:
* Charlie Parker - Birth of the Bebop: Bird on Tenor 1943 (Stash)
* Miles Davis - Dick Hyman - Sonny Stitt (Ozone)
* Here Are Stan Getz and Miles Davis (Kings of Jazz)
* Sarah Vaughan in Hi-Fi (Columbia)
* Miles Davis All Stars and Gil Evans (Beppo)
* Hooray for Miles Davis, Vol. 2 (Session Disc)

1951:
* Miles Davis and Horns (Prestige)
* Miles Davis - Early Miles (Prestige)
* Sonny Rollins with the Modern Jazz Quartet, Art Blakey, Kenny Drew (Prestige)
* The Genius of Charlie Parker, #8 - Swedish Schnapps (Verve)
* The Magnificent Charlie Parker (Clef MGC)
* The Metronome All Stars - All Star Sessions (Capitol)
* V.A. - Conception (Prestige)
* Miles Davis - Eddie 'Lockjaw' Davis - Art Blakey (Ozone)
* Miles Davis - Dig (Prestige)

1952:
* Jimmy Forrest and Miles Davis Live at the Barrel (Prestige)
* Miles Davis/Jimmy Forrest - Lady Bird (Jazz Showcase)
* Miles Davis - Rare Unreleased Broadcasts (Yadeon)
* V.A. - Woman in Jazz, Vol. 3 (Stash)
* Miles Davis and his All Stars (Ozone)
* Miles Davis, Vol. 1 (Blue Note)
* Miles Davis - Complete 1st and 3rd Sessions on Blue Note (Blue Note)
* Miles Davis, Vol. 2 (Blue Note)

1953:
* Miles Davis - Collector's Items (Prestige)
* Miles Davis - Hi-Hat All Stars Recorded Live at Hi-Hat, Boston 1955 (Fresh Sound)
* Miles Davis - Complete 2nd Session on Blue Note (Blue Note)
* Miles Davis - Blue Haze (Prestige)
* Charlie Parker - Bird Meets Birks (Mark Gardner)
* Miles Davis and the Lighthouse All-Stars - At Last! (Contemporary)

1954:
* Miles Davis - Walkin' (Prestige))
* Miles Davis - Bags' Groove (Prestige)
* Miles Davis and the Modern Jazz Giants (Prestige)

1955:
* Miles Davis - The Musings of Miles (Prestige)
* Miles Davis - Blue Moods (Debut)
* Miles Davis - Miscellaneous Davis 1955-1957 (Jazz Unlimited)
* Miles Davis and Milt Jackson Quintet/Sextet (Prestige)
* Miles Davis - The Legendary Prestige Quintet Sessions (Prestige)
* The Complete Columbia Recordings of Miles Davis with John Coltrane (Mosaic)
* Miles Davis - Circle in the Round (Columbia)
* Miles Davis - 'Round About Midnight (Columbia)
* Miles Davis - Basic Miles (Columbia)
* Miles Davis - The Columbia Years 1955-1985 (Columbia)
* V.A. - Jazz Omnibus (Columbia)
* Miles Davis - Miles (Prestige)

1956:
* Workin' with the Miles Davis Quintet (Prestige)
* Steamin' with the Miles Davis Quintet (Prestige)
* Relaxin' with the Miles Davis Quintet (Prestige)
* Miles Davis Quintet at Peacock Alley (VGM/Soulard)
* Leonard Bernstein - What Is Jazz (Columbia)
* The Brass Ensembles of the Jazz and Classical Music Society - Music for Brass (Columbia)
* Cookin' with the Miles Davis Quintet (Prestige)
* Lester Young Meets Miles, M.J.Q. and the Jack Teagarden All Stars (Unique Jazz)
* Miles Davis/Bud Powell/Art Tatum - Unreleased Performances (Teppa 76)

1957:
* Miles Davis - Miles Ahead (Columbia)
* Miles Davis - Miles Ahead (stereo) (Columbia/Legacy)
* Miles Davis - John Coltrane - Sonny Rollins (Ozone 18)
* Miles Davis - Makin' Wax (Chakra (It) TH 100 MD)
* Rene Urtreger en Concerts (Carlyne Music)
* Miles Davis - Ascenseur pour L'echafaud (Fontana)
* Miles Davis - Ascenseur pour L'echafaud: Complete Recordings (Fontana)
* Miles Davis - The Complete Amsterdam Concert 1957 (Celluloid)

1958:
* Miles Davis - Milestones (Columbia)
* Cannonball Adderley - Somethin' Else (Blue Note)
* Cannonball Adderley - Alison's Uncle, Autumn Leaves (Blue Note)
* V.A. - The Other Side Blue Note 1500 Series (Blue Note)
* Miles Davis All Stars featuring John Coltrane and Bill Evans (Jazz Band)
* Miles Davis - Jazz Tracks (Columbia)
* Miles Davis - '58 Sessions (Columbia/Legacy)
* Miles Davis - Black Giants (Columbia)
* Michel Legrand - Legrand Jazz (Columbia)
* Miles Davis/Thelonious Monk - Miles and Monk at Newport (Columbia)
* V.A. - Newport Jazz Festival 1958-59 (FDC)
* Miles Davis - Porgy and Bess (Columbia)
* Miles Davis - Jazz at Plaza, Vol. 1 (Columbia)
* Miles Davis All Stars featuring John Coltrane with Cannonball Adderley (Jazz Band)

1959:
* Miles Davis - Kind of Blue (Columbia)
* The Sound of Miles Davis (Toei Video)
* The Complete Miles Davis-Gil Evans Studio Recordings (Columbia/Legacy)
* Miles Davis - Sketches of Spain (Columbia)

1960:
* Miles Davis - Directions (Columbia)
* Miles Davis en Concert avec Europe 1 (Trema)
* Miles Davis and John Coltrane Live in Stockholm 1960 (Dragon -Swd)
* John Coltrane - Bird Note (Bird Note)
* Miles Davis/John Coltrane - Copenhagen 1960 (Royal Jazz)
* Miles Davis Quintet Live in Zurich 1960 (Jazz Unlimited - Swd)
* Miles Davis/John Coltrane - Miles and Coltrane Quintet Live, First Time on Records (Unique Jazz)
* Miles Davis - Free Trade Hall, Vol. 1 (Magnetic- Luxe)
* Miles Davis Quintet Live in Europe (Jazz Up)
* Miles Davis - Free Trade Hall, Vol. 2 (Magnetic- Luxe)
* Miles Davis/Sonny Stitt - Stockholm 1960 (Royal Jazz)
* Miles Davis and Sonny Stitt Live in Stockholm 1960 (Dragon -Swd)

1961:
* Miles Davis - Someday My Prince Will Come (Columbia)
* Miles Davis in Person, Vol. 2 - Saturday Night at the Blackhawk (Columbia)
* Miles Davis in Person, Vol. 1 - Friday Night at the Blackhawk (Columbia)
* Miles Davis - The Complete Blackhawk Sessions (Mosaic)
* V.A. - Who's Who in Jazz (Columbia)
* Miles Davis - Transition (Magnetic- Luxe)
* Miles Davis - Circle in the Round (CBS/Sony)
* Miles Davis at Carnegie Hall (Columbia)
* Miles Davis - Live Miles: More Music from the Legendary Carnegie Hall Concert (Columbia)

1962:
* Miles Davis - Quiet Nights (Columbia)
* V.A. - Jingle Bell Jazz (Columbia)
* Miles Davis - Sorcerer (Columbia)
* Miles Davis - Facets, Vol. 1 (Columbia)

1963:
* Miles Davis - The Complete 63-64 Columbia)
* Miles Davis - Seven Steps to Heaven (Columbia)
* Miles Davis - Miles in St. Louis (VGM)
* IXXI. Miles Davis Quintet Live in St. Louis and Paris 1963 (The Golden Age of Jazz)
* Miles Davis - Cote Blues (Jazz Music Yesterday)
* Miles Davis in Europe (Columbia)
* Miles Davis at Monterey 1963 Complete (So What!(SW )

1964:
* Miles Davis - 'Four' & More (Columbia)
* Miles Davis - My Funny Valentine (Columbia)
* Miles Davis - Miles in Tokyo (CBS/Sony)
* Miles Davis - Miles in Berlin (CBS)
* Miles Davis - Paris, France (Heart Note)
* Miles Davis - The Complete Copenhagen Concert 1964 (Magnetic- Luxe)
* Miles Davis - Davisiana (Moon)
* Miles Davis - All Blues (Musica Jazz)
* IXXII. Miles Davis Quintet Live in Sindelfingen 1964 (The Golden Age of Jazz)
* Miles Davis - Seven Steps to Heaven (Jazz Door)

1965:
* Miles Davis - E.S.P. (Columbia)
* Miles Davis - Cookin' at the Plugged Nickel (Columbia)
* Miles Davis - Complete Live at Plugged Nickel 1965 (CBS/Sony)
* Miles Davis at Plugged Nickel, Chicago, Vol. 2 (CBS/Sony)
* Miles Davis at Plugged Nickel, Chicago, Vol. 1 (CBS/Sony)

1966:
* Miles Davis - Gingerbread Boy, At Portland State College (Stone)
* Miles Davis - Miles Smiles (Columbia)

1967:
* The Studio Recordings of Miles Davis Quintet 65-68 (Mosaic)
* Miles Davis - Water Babies (Columbia)
* Miles Davis - Nefertiti (Columbia)
* Miles Davis - His Greatest Concert Ever (Jazzman JM)
* Miles Davis - Tempo di Jazz (Tempo di Jazz)
* Miles Davis - No Blues (Jazz Music Yesterday (JMY)

1968:
* Miles Davis - Miles in the Sky (Columbia)
* Miles Davis - Filles de Kilimanjaro (Columbia)
* Miles Davis - The Complete in a Silent Way Sessions (Mosaic)

1969:
* Miles Davis - In a Silent Way (Columbia)
* Miles Davis - 1969 Miles: Festiva de Juan Pins (CBS/Sony)
* The Selected Works of Chick Corea - Music Forever and Beyond (GRP)
* Miles Davis Interview, 4 Aug., 1969 (Columbia)
* Miles Davis - Bitches Brew (Columbia)
* Miles Davis - Double Image (Moon (It) MCD)
* IXXIII. Miles Davis Quintets: Bitches Brew Live (The Golden Age of Jazz (JZCD)
* Miles Davis - Spanish Key (Lunch for Your Ears)
* Miles Davis - Paraphernalia (Jazz Music Yesterday (It) (JMY)
* Miles Davis - Big Fun (Columbia)
* Miles Davis - The Complete Bitches Brew Sessions (Mosaic)

1970:
* Miles Davis - Live/Evil (Columbia)
* Miles Davis - A Tribute to Jack Johnson (Columbia)
* Miles Davis - Hill Auditorium, 2/21/'70 (Jazz Masters)
* Miles Davis - It's About That Time: Live at the Fillmore East, March 7, 1970 (Columbia/Legacy)
* Miles Davis at Fillmore West - Black Beauty (CBS/Sony)
* Miles Davis - Get Up with It (Columbia)
* Miles Davis at Fillmore (Columbia)
* V.A. - The First Great Rock Festivals of the Seventies - Isle of Wight - Atlanta Pop Festival (Columbia)
* Miles Davis - Fillmore West, 10/17/'70 (Jazz Masters)

1971:
* Miles Davis - Lennies on the Turnpike '71 (Jazz Masters)
* IXXIV. Miles Davis Band: Miles Davis + Keith Jarrett Live (The Golden Age of Jazz)
* Miles Davis - Neue Stadthalle, Switzerland (Jazz Masters)
* Miles Davis - Another Bitches Brew (Jazz Door)
* Miles Davis - Two Miles Live (Discurious)
* Miles Davis - Berlin and Beyond (Lunch for Your Ears) * Miles Davis in Sweden 1971 (Miles MD 1)
* Hooray for Miles Davis, Vol. 3 (Session Disc)

1972:
* Miles Davis - On the Corner (Columbia)
* Miles Davis in Concert (Columbia)

1973:
* Miles Davis - Black Satin (Jazz Masters)
* Miles Davis - More Live Evil (Zipperdeke)
* Miles Davis - Ife (Lunch for Your Ears)
* Miles Davis - "Isle of Wight" (Columbia)
* Miles Davis - Unknown Sessions 1973-1976, Vol. 1 (Kind of Blue KOB)
* Miles Davis - Call It What It Is (Jazz Music Yesterday)
* Miles Davis - Berlin '73 (Jazz Masters)
* Miles Davis - Palais des Sports, Paris 1973 (Jazz Masters)

1974:
* Miles Davis - Dark Magus (CBS/Sony)

1975:
* Miles Davis - Agharta (CBS/Sony (J) 28AP 2167/68)
* Miles Davis - Pangaea (CBS/Sony (J) 28AP 2169/70)
* Miles Davis - New York Bottom Line 1975 (Jazz Masters)

1980:
* Miles Davis - The Man with the Horn (Columbia FC)

1981:
* Miles Davis - Shout (12 inch maxi single) (Columbia)
* Miles Davis - We Want Miles (Columbia)
* V.A. - Jazz Beau Coup. (Columbia Sampler)
* Miles Davis - Miles! Miles! Miles!: Live in Japan '81 (CBS/Sony)

1982:
* Miles Davis - Moonlight Shadows (Megadisc)
* Miles Davis - Spring (Paradise)
* Miles Davis - The Second Spring (Paradise)
* Miles Davis - Star People (Columbia FC)
* Miles Davis - Forum, N.Y., 12/31/82 (Jazz Masters)

1983:
* Miles Davis - In the West (Jazz Masters)
* Miles Davis - Atmosphere (Four Beat Sounds)
* Miles Davis - Decoy (Columbia FC)
* Miles Davis in Warsaw '83 (Poli Jazz (Poland) PSJ X)

1984:
* Miles Davis - You're Under Arrest (Columbia FC)
* Miles Davis - This Is Miles!, Vol. 2 (CBS/Sony)

1985:
* Miles Davis - Aura (Columbia)
* Miles Davis - Miles Under Arrest: Live 1985 (Gema)
* Miles Davis - Human Nature (Jazz File JF)
* Miles Davis - The King of Priests (Flashback)
* Miles Davis - Pacific Express (Jazz Masters (G) JM)
* V.A. - Sun City (Manhattan MHS)
* V.A. - Sun City (12 inch maxi single) (Manhattan S14)
* Miles Davis - Unissued '85 (On Stage CD/ON)

1986:
* TOTO - Fahrenheit (Columbia FC)
* Miles Davis - Tutu (Warner Bros.)
* Miles Davis - Backyard Ritual (Warner Bros.)
* Prince - Crucial (H.T.B. Entertainment Group CD)
* Miles Davis - Full Nelson (12 inch maxi single) (Warner Bros.)
* Miles Davis - Social Music (Tiki Records)
* Miles Davis - Maze (Lunch for Your Ears)
* Miles Davis - Time After Time (Tiki Records)
* Miles Davis - High-Energy - Rhythm Attack (M.D.)
* Miles Davis - Street Scenes (Lunch for Your Ears)

1987:
* Miles Davis/Marcus Miller - Siesta (Warner Bros.)
* Miles Davis - Greek Theater '88 (Jazz Masters)
* Miles Davis - Scrooged: Original Motion Picture Soundtrack (A&M SP)
* Miles Davis - Antwerp Agitation (no label no number)
* Prince - Grosse Freiheit 36: Driving to Midnight Mess (Savarage)
* Scritti Politti - Oh, Patti (Virgin VST)

1988:
* Cameo - Machismo (Mercury)
* Miles Davis in Concert '88, Pt. 1 (Jazz Concert MDCD)
* Miles Davis in Concert '88, Pt. 2 (Jazz Concert MDCD)
* Chaka Khan - C.K. (Warner Bros.)
* Miles Davis Live Around the World (Warner Bros.)
* Miles Davis in Warsaw '88 (Poli Jazz (Poland))
* Miles Davis - Amandla (Warner Bros.)

1989:
* Kenny Garrett - Prisoner of Love (Atlantic)
* Quincy Jones - Back on the Block (Warner Bros.)
* Marcus Miller - The Sun Don't Lie (PRA)
* Miles Davis - Time After Time (Jazz Door (It) JD)
* Miles Davis Band Live Tutu (The Golden Age of Jazz)
* Miles Davis - Miles in Montreux (Jazz Door (It) JD)
* Miles Davis Live at Montreux Jazz Festival (Jazz Door) * Miles Davis - Miles in Paris (Four Aces )
1990:
* Miles Davis/Michel Legrand - Dingo (Warner Bros.)
* Miles Davis - The Hot Spot: Original Motion Picture Soundtrack (Antilles)
* Paolo Rustichelli - Capri (Verve-Forecast)
* Paolo Rustichelli - Mystic Man (Island/Guts & Grace)
* Miles Davis - Sing in Singen (Regency REG)
* Shirley Horn - You Won't Forget Me (Verve)

1991:
* Miles Davis - Doo-Bop (Warner Bros)
* Miles Davis - Blow/Fantasy (Warner Bros.)
* Miles Davis - The Doo-Bop Song EP (Warner Bros.)
* Miles Davis - Miles and Quincy Live at Montreux (Warner Bros.)
* Miles Davis - Black Devil (Beech Marten (It) BM)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

1972 - On The Corner

Após dar o pontapé inicial do movimento fusion com os álbuns "In A Silent Way" e "Bitches Brew", ambos de 1969, Miles passou dois anos e meio testando novas sonoridades, adaptando seu som a novos estilos e caindo ainda mais de cabeça em novos ritmos e sons totalmente diferentes ao estilo ligado ao Jazz. Suas perfomances ao vivo entre 1970-72 eram verdadeiros laboratórios sonoros, onde Miles, muito bem acompanhado (incluindo dois músicos Brasileiros, Airto Moreira e Hermesto Paschoal) criava verdadeiros colossos sonoros com essas misturas e experimentos. Ao entrar em estúdio em junho de 1972, muito influenciado pela black music de Sly and Family Stone, Funkadellic, Steve Wonder e Isaac Hayes, decidiu fugir da temática experimentalista de seu antecessor Bitches Brew e colocou uma sonoridade altamente dançante, negra e de impacto. Chamou (como sempre) um time impecável de músicos, entre eles Herbie Hancock, que também estava trilhando um caminho parecido em juntar o jazz com a musica negra (no qual lançaria outro marco fusion, o álbum Head Hunters no ano seguinte) e após rápidos jam sessions, surgia um de seus melhores trabalhos, On the Corner. Na primeira música, a faixa-título On The Corner, percebemos a intenção de Miles de colocar o jazz um caráter altamente rítmico e de impacto. Nessa canção, altas doses de batidas africanas se misturam a solos de teclados, saxofones e de trumpete, criando às vezes a sensação de estarmos num ritual africano ou numa sessão de magia, tamanha a força musical da faixa. Já Black Satin, tem um ritmo altamente dançante, nitidamente inspirado no Funk (Com boa dose de qualidade do grupos como Sly e Funkadelic), destacando-se aqui o ótimo baixo de Micheal Henderson e as deliciosas pitadas da guitarra de John Mclaughlin. A ótima One and One brinda com uma deliciosa performance de Jack Dejonette na bateria e John Mtume na percussão, dando base aos ótimos solos que Miles realiza nessa canção. Helen Butte/ Mr. Freedom X (na verdade uma alusão ao líder negro Malcom X e ao grupo político panteras Negras) realça o caráter de Miles de imprimir uma sonoridade negra em seu trabalho. Aqui, o funk, o blues, a musica africana e o soul se alternam de forma eficiente e empolgante em seus mais de 20 minutos de duração. Esse Álbum ao ser lançado, foi impiedosamente massacrado pela crítica, que acusou Miles de denegrir o jazz e na verdade ter feito um disco apenas para ganhar dinheiro. Miles demonstrou desprezo pelas críticas e continuou indo cada vez mais ao extremo em suas misturas musicais até se retirar temporariamente do cenário artístico por problemas de saúde em 1976. Um disco excelente da excelente fase Elétrica desse excelente músico.

Musicos:
Miles Davis - Trumpete
Chick Corea - Teclados
Herbie Hancock - Teclados
Dave Liebman - Saxofones
John Mclaughlin - Guitarra
Micheal Henderson - Baixo
Jack Dejonhette - Bateria
John Mtume Foreman - Percussão

Faixas:
01 - On the Corner
02 - Black Satin
03 - One and One
04 - Helen Butte / Mr. Freedom X

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Boa audição - Namastê.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

1969 - Miles, Festiva De Juan Pins (Japan Edition)

Miles era o segundo filho de uma família de classe média, tendo seu pai, um dentista prático e sua mãe professora de música, como figuras centrais de sua vida, Começou a estudar trompete aos doze anos de idade e fazia espetáculos junto com seus dois irmãos, Dorathy, que tocava piano, e Vernon, que dançava para as visitas que freqüentavam sua casa. Sua primeira banda foi a Eddie Randle’s Blue Devils. Aos 17 anos viu o trompetista Dizzy Gillespie e o saxofonista Charlie Parker tocarem em um show na cidade onde morava com a família em St. Louis, acompanhando a big band de Billy Eckstine, ficou fascinado, isso em 1944. Ele então acabara de descobrir como e com quem queria tocar. " Quando eu estava na sexta serie, havia um programa de radio chamado ' Harlem Rhythm' que eu escultava antes de ir para escola por quinze minutos - era isso. Foi quando eu disse: Quero fazer musica assim". Com a saída de um dos trompetistas da banda de Eckstine, Miles conseguiu a vaga e teve a oportunidade de tocar por duas semanas com seus ídolos Parker e Dizzy. Em 1944 mudou-se para Nova York para estudar música na famosa Julliard School (onde aprofundou seus conhecimentos de teoria, harmonia e música clássica) e ficar mais próximo de seus ídolos e da nova música que estava acontecendo por lá, o Bebop. Miles começou a freqüentar o Minton’s e a trabalhar como sideman de Parker, apesar de não estar preparado tecnicamente para tocar o Bebop. Miles Davis efetivamente constitui, sozinho, um capítulo à parte dentro do jazz. Sua carreira, inciada dentro do bebop, apresentou uma fase brilhante já em 1948-50, com a formação da célebre Miles Davis-Capitol Orchestra, onde o genial arranjador Gil Evans começou a escrever verdadeiras obras-primas que davam todas as condições para a expressividade de Miles. A colaboração Miles-Evans continuou ao longo dos anos 50. Os arranjos de Evans não têm paralelo em nenhuma big band: trata-se de peças impressionistas, com estruturas elaboradas, texturas timbrísticas sofisticadas, revelando influências variadas que incluíam, por exemplo, a música espanhola. O som de seu trompete foi único. Poucos músicos conseguiram usar momentos de silêncio em seus solos como Dewes Miles Davis Jr. Quase sempre sem vibrato (efeitos de oscilação do som) e com o uso da surdina, tocava frases musicais curtas de forma macia. Com sua arte foi construída uma obra jazzística vasta, desbravadora e lírica. Miles, Festiva De Juan Pins foi Gravado ao vivo no Jazz Festival Antibes (uma comuna francesa) em 25 de Julho de 1969, três semanas antes do início do "Bitches Brew Sessions", com - Miles Davis, Wayne Shorter, Chick Corea, Dave Holland, e Jack DeJohnette. A apresentação mostra uma natural transitória do repertório - que inclui, desde "Round Midnight" e "Milestones", que Miles primeiro gravou na década de 1950. Magnifico arcevo, indispensavel para colecionadores de fim de semana como eu, já que se trata de uma gravação não disponível no mercado interno, tendo em vista que em março de 1970 a Fillmore East lançou nos EUA uma versão não oficial do show (diz alguns que Miles ficou puto e cogitou processar a gravadora). Isso Levou a perpetua quase 26 anos de espera, até 26 de Agosto de 95, quando foi lançado no mercado japones o master oficial. Produzido por Teo Macero que produziu muitos álbuns importantes para Miles Davis, tais como “Kind of Blue” ” Bitches Brew”, “ In a Silent Way”, e "A Tribute to Jack Johnson" entre outros. Teo era saxofonista e compositor, sendo contratado pela Columbia Records em 1957 onde veio a fazer parte da equipe de produtores onde auxiliou Miles em varias produções.
Gravado: 25-o7-1967 Antibes, França


Tracks:
01 - Directions
02 - Miles Runs the Voodoo Down
03 - Milestones
04 - Footprints
05 - Round About Midnight
06 - It's About That Time
07 - Sanctuary & The Theme

Músicos:
Miles Davis - Trompete
Wayne Shorter - Sax. Tenor e Soprano
Chick Corea - Piano Eletrico
Dave Holland - Baixo
Jack De Johnette - Bateria e Percursão

Download - Here

Boa audição - Namastê.

terça-feira, 6 de março de 2012

2004 - Birdland 1951 - Miles Davis

Embora estudiosos costumem apontar elementos do jazz-rock desde meados da década de sessenta, principalmente nos trabalhos de Larry Coryell, o primeiro álbum considerado do gênero foi o "Bitches Brew" de Miles Davis, editado em 1970. Na época, Miles andava ensaiando uma aproximação com o Rock, tendo sido o único jazzista a participar do Festival da Ilha de Wight, além de tentar marcar uma sessão de gravação com Jimi Hendrix, sessão esta que não se concretizou devido à morte de Jimi. Miles Davis e Jimi Hendrix tinham um encontro marcado no final do mês de setembro de 1970 no Carnegie Hall, onde ensaiariam para um eventual álbum ao vivo a ser editado futuramente. Com a morte de Jimi, obviamente o projeto não saiu do papel. Miles esteve presente nos funerais de Hendrix, onde tentou em vão tocar seu trumpete, mas foi impedido por Leon, irmão de Jimi. Birdland 1951, álbum ao vivo pela lenda do jazz, Miles Davis, lançado em 27 de janeiro de 2004, com registros de gravação a partir de 17 de fevereiro e 29 de setembro de 1951, no Birdland, com transmissões de rádio. Três transmissões diferentes foram escolhidas: dois com seis cortes de Junho e Setembro e os quatro cortes foram retirados de uma transmissão em 17 de Fevereiro, que nunca estiveram disponíveis em qualquer outra gravação.


Artista: Miles Davis
Album: Birdland 1951
Lançamento: 2004
Genero: Fusion, jazz-funk, avant-garde jazz
Selo: Columbia, divisão Blue Note

Faixas:
01 - Move (02 de Junho, 1951)
02 - Half Nelson (02 de Junho, 1951)
03 - Down (02 de Junho, 1951)
04 - Out Of The Blue (17 de Fevereiro, 1951)
05 - Half Nelson (17 de Fevereiro, 1951)
06 - Tempus Fugit (17 Fevereiro, 1951)
07 - Move (17 Fevereiro, 1951)
08 - Move (29 Setembro, 1951)
09 - The Squirrel (29 Setembro, 1951)
10 - Lady Bird (29 Setembro, 1951)

Musicos:
Miles Davis - Trompete
Sonny Rollins - Sax. Tenor
Big Nick Nicholas - Sax. Tenor
Eddie "Lockjaw" Davis - Sax. Tenor
J.J. Johnson - Trombone
Kenny Drew - Piano
Billy Taylor - Piano
Charles Mingus - Piano
Tommy Potter - Baixo Acustico
Art Blakey - Bateria

Boa audição - Namaste

terça-feira, 4 de maio de 2010

First Miles - Miles Davis - 1945/47

In a Silent Way iniciou um grande período criativo pra mim, a partir de 1969. Esse disco abriu em minha cabeça um manancial musical que continuou a jorrar nos quatro anos seguintes. Nesse tempo, acho que devo ter entrado em estúdio perto de umas quinze vezes, e concluí cerca de 10 discos (uns saindo mais cedo que outros mas todos gravados nesse período): In a Silent Way, Bitches Brew, Miles Davis Sextet: At the Fillmore West, Miles Davis: At Fillmore, Miles Davis Septet: At the Isle of Wight, Live-Evil, Miles Davis Septet: At Philharmonic Hall, On the Córner, Big Fun, Get Up With it (Directions e Circles in the Round saíram depois, com gravações feitas neste período.). Mas toda a música era diferente e isso causava muitos problemas a muitos críticos. Os críticos querem sempre classificar todo mundo, nos pôr num certo lugar em sua cabeça pra poder nos entender. Não gostam de muitas mudanças porque isso lhes dá trabalho pra entender o que fazemos. Quando comecei a mudar com essa rapidez muitos críticos passaram a me esnobar porque não entendiam o que eu fazia. Mas eles nunca significaram grande coisa pra mim por isso simplesmente prossegui com o que vinha fazendo, tentando crescer como músico. Entrei numa polêmica com o pessoal dos Prêmios Grammy em 1971 ao dizer que a maioria dos prêmios ia pra brancos que copiavam coisas dos negros, tristes imitações, em vez da verdadeira música. Disse que deviam dar Prêmios Mammy aos artistas negros. Dariam os prêmios aos músicos e eles os rasgariam diante da televisão. Ao vivo. Odiava o modo como eles tratavam os músicos negros dando os Grammy a brancos que tocavam como negros. Essa coisa está gasta e nojenta mas eles ficam putos se a gente fala. Temos de deixá-los tomar o que é nosso, ranger os dentes mas não ficar putos e segurar a barra enquanto eles faturam o dinheiro e a glória. É estranho o modo como muitos brancos pensam. No início do ano fiz uma operação de cálculo biliar e estava me separando de Marguerite Eskridge. Ela não gostava do ritmo de minha vida, nem que eu saísse com outras mulheres. Mais que isso, porém, creio que não gostava de ficar sentada esperando por mim. Me lembro de uma vez quando estávamos num avião na Itália e ela se pôs a chorar. Perguntei o que era e ela disse:
- Você quer que eu seja como um membro de seu conjunto e eu não posso. Não posso pular quando você estala os dedos. Não posso acompanhar você.
Cara, Marguerite era tão linda que quando ia aos lugares na Europa, as pessoas a seguiam. Ela gostava de ir a museus e me lembro que uma vez – talvez tenha sido na Holanda – quando ela entrou no museu, as pessoas se extasiavam por onde quer que ela passasse. Isso a perturbava. Fora modelo mas não curtia de fato esse tipo de coisa. Era uma pessoa especial e sempre terei um lugar pra ela em meu coração. Quando estávamos pra nos separar ela me disse que se precisasse de alguma coisa, ligasse pra ela que ela viria mas não podia aceitar regularmente as outras coisas e aquela gente toda. Da última vez que fizemos sexo ela engravidou de Erin. Quando me disse que estava grávida eu disse que ia ficar com ela mas ela respondeu que não era preciso. Ela teve Erin e simplesmente se retirou de minha vida diária. Eu a via de tempos em tempos mas ela passou a viver sua vida em seus próprios termos. Respeitei isso. Era uma dama realmente espiritual a quem sempre amarei. Mais tarde ela se mudou pra Colorado Springs levando nosso filho consigo. Depois que Marguerite partiu, Jackie Battle e eu quase nos tornamos um casal. Eu ainda saía às vezes com outras mulheres, mas passava a maior parte do tempo com ela. Jackie e eu tivemos um grande relacionamento. Eu a tinha quase no sangue, tão chegados éramos. Nunca me senti assim com nenhuma outra mulher além de Francês. Mas a fiz passar por muita coisa porque sei que era de convivência difícil. Ela vivia tentando me tirar da coca, e eu parava por uns tempos, mas depois tornava a recomeçar. Uma vez quando estávamos num avião pra São Francisco, uma aeromoça se aproximou e me deu uma caixa de fósforos cheia de coca que comecei a cheirar ali mesmo na poltrona. Cara, às vezes era uma loucura tal, depois que eu cheirava coca e engolia 7 ou 8 Tuinals (depressivos), que eu achava que ouvia vozes e me punha a procurar debaixo dos tapetes, nos radiadores, debaixo dos sofás. Jurava que tinha gente dentro de casa. Levava Jackie à loucura com esse comportamento, sobretudo quando ficava sem coca. Procurava a droga no carro, revistava a bolsa dela pois ela sempre a jogava fora toda vez que encontrava como alguma. Uma vez fiquei sem coca e entrávamos num avião pra ir a algum lugar. Eu pensava que Jackie devia ter escondido a coca na bolsa por isso lhe tomei a bolsa e comecei a revistá-la, pra ver se estava ali. Encontrei um pacotinho de sabão em pó branco. Depois de prová-lo, vi que era sabão e fiquei muito constrangido. Em outubro de 1972, bati o carro na West Side Highway. Jackie não estava comigo; estava dormindo em casa onde também eu devia estar. Creio que tínhamos acabado de chegar da estrada naquela noite e todo mundo vinha meio cansado. Eu não queria ir dormir embora tivesse tomado um sonífero. Jackie estava em minha casa e eu queria sair pra algum lugar mas ela só queria dormir. Por isso saí; acho que ia a algum barzinho da madrugada no Harlem. Seja como for, dormi no volante, bati com o carro numa mureta e quebrei os dois tornozelos. Quando ligaram pra Jackie e lhe deram a notícia ela teve um ataque ao chegar ao hospital. Jackie e minha irmã Dorothy que viera de Chicago de avião pra ajudar, fizeram uma faxina em minha casa enquanto eu estava no hospital. Encontraram fotos Polaroid de mulheres fazendo todo tipo de coisa. Eu costumava apenas olhar aquelas mulheres fazendo aquilo. Não as mandava fazer nem nada disso; elas faziam porque achavam que eu gostaria e me davam as fotos. Creio que essas fotos irritaram muito Jackie e Dorothy. Mas eu fiquei irritado, porque elas tinham entrado em minha casa e revistado minhas coisas particulares daquele jeito. Naquela época, eu gostava que a casa ficasse às escuras o tempo todo; acho que porque me sentia sombrio. Creio que esse incidente teve muito a ver como fato de Jackie ter se enchido de mim. Mulheres viviam ligando o tempo todo. E Marguerite morava no apartamento de cima e descia pra cuidar da casa quando Jackie ia pra estrada comigo. Fiquei de cama por quase 3 meses e quando voltei pra casa tive de andar de muletas por algum tempo o que fodeu mais ainda meu quadril. Quando voltei do hospital pra casa, Jackie me fez jurar que ia me afastar das drogas e eu me afastei por um tórrido instante. Depois me veio de novo aquela vontade. Me lembro que um dia ela me pôs no pátio junto ao jardim no fundo da casa. Era um belo dia de outono, nem muito quente nem muito frio. Eu dormia numa cama de hospital, onde podia erguer e baixar as pernas. Jackie trazia uma cama e dormia no jardim junto a mim quando fazia bom tempo. À noite, claro, entrávamos pra dormir. Nesse dia nós descansávamos no jardim e minha irmã Dorothy dormia lá em cima, dentro de casa. De repente senti uma tremenda vontade de cheirar cocaína. Me levantei, amparado nas muletas e liguei pra um amigo que veio me pegar. Eu saí,e quando voltei Jackie e minha irmã estavam histéricas porque calculavam que eu na certa fora comprar droga. As duas ficaram furiosas realmente furiosas. Mas Dorothy, como é minha irmã, ficou comigo; Jackie saiu e voltou pra seu apartamento que nunca largara e tirou o fone do gancho pra não falar comigo. Quando finalmente consegui falar com ela ao telefone e pedi que voltasse ela disse que não. E quando dizia não era não mesmo. Eu sabia que estava acabado e senti pra caralho. Tinha-lhe dado um anel que minha mãe me dera. Mandei Dorothy buscar o anel de minha mãe. Jackie me dizia as coisas certas. Sem ela minha vida nos dois anos seguintes entrou na zona escura. Era coca 24 horas por dia, sem nenhuma folga e eu sofria muitas dores. Comecei a sair com uma mulher chamada SherryPeachesBrewer por algum tempo. Era uma bela mulher também. Viera de Chicago pra Nova York trabalhar no musical da Broadway Hello Dolly, com Pearl Bailey e Cab Calloway. Nós andávamos juntos e ela era uma pessoa muito legal, muito boa atriz. Depois saí com uma modelo chamada Sheila Anderson, outra mulher alta e bela. Mas me recolhia cada vez mais em mim mesmo. Nessa época eu faturava algo em torno de meio milhão de dólares por ano mas ainda gastava muito dinheiro em tudo que fazia. Gastava muito em cocaína. Tudo começara a ficar meio fora de foco depois que sofri o acidente de carro...”

Miles Davis – a Autobiografia - Miles e Quincy Troupe (Editora Campus pp. 273, 285 a 288)

First Miles é o primeiro álbum de Miles Davis na liderança de uma formação de musico como como Charlie "Bird" Parker, Herbie Fields, Leonard Gaskin, Rubberlegs Williams com apenas 18 anos de idade. Ao longo do tempo, se tornará um dos mais valorizados e influente musico entre os varios estilos passado por Miles. São coletâneas de sua fase entre os anos 1945 e 1947, passando por valores históricos bastante notavel na evolução de um dos pilares do jazz. De inicio nota-se o seu talento na improvisação e sua grande capacidade de criar atmosferas rítmicas reservadas apenas para um seleto de poucos. genios do jazz. Boa pedida e degustação sem moderação.

Pointless Mama Blues


Faixas:
01. Milestones (First Take)
02. Milestones (Take 3)
03. Little Willie Leaps (First Take 1)
04. Little Willie Leaps (Master Take 3)
05. Half Nelson (Alternate Take 1)
06. Half Nelson (Master Take 2)
07. Sippin’ at Bells (First Take 1)
08. Sippin’ at Bells (First Take 3)
09. That’s the Stuff You Gotta Watch (Alternate Take 1)
10. That’s the Stuff You Gotta Watch (Alternate Take 2)
11. That’s the Stuff You Gotta Watch (Master Take)
12. Pointless Mama Blues
13. Deep Sea Blues
14. Bring It on Home (First Take 1)
15. Bring It on Home (Alternate Take 2]
16. Bring It on Home (Master Take 3)

Músicos:
Faixas 9 ao 16.
Miles Davis - TrompeteHerbie Fields - Sax Tenor & Clarinete
Henry Rubberlegs Williams - Vocais
Teddy Brannon - Piano
Leonard Gaskin - Baixo Acustico
Ed Nicholson - Bateria

Faixas 1 ao 8:
Miles Davis - Trompete
Charlie Parker Sax Tenor
John Lewis - PianoNelson Boyd - Baixo Acustico
Max Roach - Bateria & Percusão

Boa audição - Namastê.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

2008 - Beautiful Ballads And Love Songs - Miles Davis

O estilo elíptico de Miles ao trompete levou muitos críticos a dizerem que toca mal. "No bebop, todo mundo tocava muito rápido. Mas eu jamais gostei de tocar um monte de escalas e essa merda toda. Sempre tentei tocar as notas mais importantes do acorde, decompô-lo. Eu ouvia os músicos tocando todas aquelas escalas e nunca nada que a gente pudesse lembrar” afirma Miles. Durante os anos 50, montou seu primeiro grande quinteto com destaque para o jovem e inquieto John Coltrane. No final da década outras duas revoluções. A primeira na parceria com o maestro Gil Evans e a união de jazz, música erudita e sons latinos em Miles Ahead - 1957, Porgy And Bess - 1958 e Sketches Of Spain - 1959. A outra revolução veio com Kind Of Blue - 1959, seu trabalho mais importante e um dos discos de jazz mais vendidos de todos os tempos. Miles popularizou o modal, técnica de composição baseada em módulos, em vez de notas ou melodias o que favorece a improvisação. Nos ensaios de Kind Of Blue, Miles levanta apenas as bases das músicas, repetitivas e simples (ouça com atenção “So What”) o resto a banda improvisava por cima. O segundo quinteto é a mais completa banda de jazz que já tocou junta: Wayne Shorter (saxofone), Herbie Hancock (piano), Ron Carter (baixo) e Tony Williams (bateria). Com essa banda, Miles flertou com o jazz mais vanguardista sem que as composições perdessem a forma. O entrosamento do quinteto era incrível. Nos shows, Hancock sentava em cima da mão esquerda para que seus companheiros não pudessem descobrir para onde ele levaria a melodia. Williams, que entrou na banda com menos de 20 anos criou escola com sua polirritmia. Carter era sólido como uma rocha e Shorter contribuía com seu talento de compositor. São dessa época os clássicos como “Footprints”, “Masqualero”, “Nefertiti” e “Prince Of Darkness”. Em 1968 e influenciado pelo rock parte para os instrumentos elétricos e promove sua última revolução no jazz. No ano seguinte sai o irretocável "In a Silent Way" e sai em turnê com o chamado “lost quintet”, composto pelo saxofonista Shorter, o baixista inglês Dave Holland (então com 22 anos), o pianista Chick Corea e o baterista Jack DeJohnette. Infelizmente essa banda não chegou a gravar em estúdio mas os registros dos shows que fizeram mostram que eram quase tão bons quanto o segundo quinteto. Ainda em 1969 sai o famoso "Bitches Brew" com participação do guitarrista John McLaughlin. A partir desse albúm, Miles leva a fundo as experimentações elétricas, flertando com o rock e o funk. Seus discos dos anos setenta são logaritimos de referencia com a excelente Get Up With It - 1972, a cansativas e indulgentes A Tribute To Jack Johnson - 1970. A partir daí explorou ritmos mais modernos como funk, dance music, eletrônica e hip hop. Em 28 de setembro de 1991 o trompete de Miles silencia. Sua obra - vasta, multifacetada, evolutiva, desbravadora, ora hermética, ora lírica - irá certamente fornecer material para análise e motivo de puro deslumbramento para muitas gerações. Beautiful Ballads And Love Songs apresenta algumas das melhores interpretações de baladas no trompete de Miles Davis faz uma viagem na carreira do principe das trevas como era chamdo. Como tal é a introdução perfeita para Davis. A introdução perfeita para o jazz. Acima de tudo "The Perfect Valentine" deixa um clima de gosto de paixão e tanje o amor em silencio ou é apenas porque você gosta de jazz???!!!!!.

03 - Corcovado (Quiet Nights)


Faixas:
01 - 'Round Midnight'
02 - Summer Night
03 - Corcovado (Quiet Nights)
04 - Stella By Starlight
05 - My Ship
06 - I Thought About You
07 - Bess, You Is My Woman Now
08 - Blue In Green
09 - I Loves You Porgy
10 - I Fall In Love Too Easily
11 - Time After
12 - My Funny Valentine (Live)

Download - Here - Click Aqui
Boa audição - Namastê.

sábado, 6 de junho de 2009

1963 - Cote blues - Milesa Davis

“Me lembro quando fomos tocar na Europa, no fim do verão de 1969, depois de concluírmos Bitches Brew. Topei com Bill Cosby e sua mulher, Camille. Nós tocávamos em Antibes, acho, e Bill estava lá de férias. Ele veio ao espetáculo, e depois fomos todos a uma boate. Bill e Camille dançavam na pista. Betty (Davis, parceira de Miles na época) também dançava com um cara francês, muito doidona. Camille usava um lindo macacão de renda branca cheio de buracos, como uma rede de basquete. Enquanto dançavam, Betty, saltando desembestada pela pista, enfiou o salto dos sapatos nos buracos das pernas do macacão de Camille e rasgou-o feio. Nem tomou conhecimento. Quando descobriu, pediu desculpas e tudo, e eu disse a Bill que pagaria o prejuízo, mas os dois nem quiseram ouvir falar nisso, pois diziam que fora sem querer e sentiam pena de Betty. Mas eu sabia que Betty estava perdendo o controle demais, e aquela merda me causou um vexame do caralho. Sabe, Betty era jovem e doida demais pro que eu esperava de uma mulher. Estava acostumado a mulheres calmas, avançadas, elegantes, como Francês ou Cicely, que sabiam se virar em qualquer tipo de situação. Mas Betty era um espírito livre – talentosa pra caralho – roqueira e malandra, acostumada a outro tipo de coisa. Era safada e tudo, toda sexo, mas eu não sabia disso quando a conheci- e acho que se soubesse não teria dado muita atenção. Mas fazia coisas desse tipo, e da outra coisa eu já começava a ficar simplesmente cheio. Depois que deixamos Bill e Camille, fomos a Londres ver Sammy Davis Jr., que estava lá estreando Golden Boy. Também vi Paul Robeson; procurava visitá-lo sempre que ia a Londres, até que ele voltou pros Estados Unidos. Eu andava com pessoas de muita classe, mas Betty não se sentia à vontade com esse tipo de gente. Só gostava de roqueiros, o que é legal, mas eu sempre tive muitos amigos não músicos, e Betty não sabia como tratá-los, o que nos afastava um do outro.
Mais tarde, em Nova York, conheci uma linda espanhola que queria ir pra cama comigo. Fui à sua casa e ela me disse que Betty andava saindo com seu namorado. Quando lhe perguntei quem era ele, ela me respondeu:
- Jimi Hendrix.
Era uma loura linda, do caralho. Tirou as roupas, e tinha um corpo que não admitia demoras. Mas eu apenas disse:
- Se Betty quer trepar com Jimi Hendrix, isso é lá com ela, e eu não tenho nada a ver com isso, nem tem nada a ver comigo e você.
Ela disse que, se Betty fodia com seu homem, ela ia foder comigo.
- Eu não gosto disso – respondi. – Não trepo com ninguém por coisas desse tipo. Se vc trepar comigo, tem de fazer isso porque quer, não porque Betty está trepando com Jimi. Miles Davis – a Autobiografia”, por Miles e Quincy Troup pp 222 a 269

Este é um daqueles albuns que só se vê na plateleira de colecionadores. "Cote Blues" com o Miles Davis Quintet é uma copilação de um programa pela radio FM da França depois que Miles apresentou no Festival "Juan-les-Pins Jazz Festival" - Antibes, France, nos dias 26 e 28 de Julho de 1963. Nota-se que a qualidade dos musicos são um caso a parte ja que Miles navegava muito em apresentações e shows pelo mundo. Destaque pelo som sensacional e excelente e o selo pertence a uma pequena gravadora Jazz Music Yesterday .

Faixas:
01 - So What
02 - Stella By Starlight
03 - Seven Steps To Heaven
04 - Walkin'

Musicos:
Miles Davis - Trompete
George Coleman - Sax. Tenor
Herbie Hancock - Piano
Ron Carter - Baixo Acustico
Tony Williams - Bateria

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Boa audição - Namastê.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

1974 - Dark Magus - Miles Davis (Live)

Principe das Trevas ou Dark Magus conhecido álbum ao vivo do icone maximo do jazz Miles Davis lançado em 1974 em um LP duplo pela Columbia Records e desde então foi re-lançado em um formato de CD duplo em 2001 sendo conciderado pela revista Q como um dos 50 álbuns mais pesado de todos os tempos (Opiniões a parte). A coisa começa com Miles bagunçando de vez o coreto jazzístico implodindo os alicerces do gênero com o monstuoso albúm "Bitches Brew", incrementando o impacto de sua última e mais estupenda revolução estilística disco após disco até chegar ao ápice da subversão elétrica of all things jazzy durante o biênio 1974-75 cujo primeiro resultado seria justamente o álbum que doravante passaremos a considerar. O que dizer portanto a propósito de mais esta devastadora desorientação sônica surdina pelo infernal Miles, o insuperável e único 'Dark Magus'? À semelhança de seu congênere Agharta (albúm anterior) com Dark Magus (apresentação ao vivo no Carnegie Hall em NY) é mais um maremoto de galáxias circuncidada de psych jazz colidindo com vudu percussivo funk e estratosféricas alucinado de acid rock diretamente Mefistófeles (diabolico-sarcastico) saturnália pagã conjurada por Miles em íncubos demorados sob o eflúvio (perda de cabelos decorrente de um distúrbio no ciclo de vida capilar) de miasmas (modo de reagir) lunares na floresta na arena transpsicodélica. Como acontece com obras deste jazzmam, uma análise faixa a faixa revela um mister de criatividade e superação em novo estilo e forma; assim sendo o que se pode fazer é uma tentativa de evocar a atmosfera que emana deste blasfemo e inebriante ritual cabalístico-musical contido neste albúm ao vivo em N. York. Capitaneando a fuzilaria de metais o anfetamínico Maldoror do jazz converte seu trompete em sirene hipercinética despejando rajadas sucessivas de uivos eletromagnéticos enquanto o oceano radioativo de drones magmáticos emitidos por seu órgão elétrico levanta uma muralha orquestral; os saxofones de Lawrence e Liebman incrementa o psicossônica vociferando de todos os lados numa miríade de exclamações assimétricas; Reggie Lucas opera suas guitarras elétricas como uma implacável cortina de lança-chamas em rajadas espasmódicas, incinerando tudo à sua volta; por fim, Henderson emoldura esta estraçalhante usina de força com seu baixo borbulhante, e Al Foster e James Mtume seguram tudo no fundo disparando morteiros percussivos aos borjões para propelir a frenética garage hermetica mileiana à frente "sedenta de horizontes e presas siderais" em direção às mais ignotas e inauditas paragens.
Então: apertem os cintos, coloquem seus capacetes e cruzem os dedos e boa audição!

Faixas:
01 - Moja (Pt. I)
02 - Moja (Pt. II)
03 - Wili (Pt. I)
04 - Wili (Pt. II)
05 - Tatu (Pt. I)
06 - Tatu "Calypso Frelimo" (Pt. II)
07 - Nne "Lfe" (Pt. I)
08 - Nne (Pt. II)

Músicos:
Miles Davis - Trompete & Órgão Elétrico
Azar Lawrence - Sax. Tenor
Dave Liebman - Flauta, Sax. Soprano & Sax Tenor
Pete Cosey - Guitarra Elétrica
Dominique Gaumont - Guitarra Elétrica
Reggie Lucas - Guitarra Elétrica
Michael J. Henderson - Baixo Elétrico & Baixo Acústico
Al Foster - Bateria
James Mtume - Percussão

Download Here - Click Aqui Cd I

Download Here - Click Aqui CD 2
Boa audição - Namastê

domingo, 29 de junho de 2008

1970 - Live Evil - Miles Davis

Hermeto Pascoal morou alguns anos nos Estados Unidos, a convite de amigo de percussão Airto Moreira – várias vezes considerado o melhor do mundo, abandonou o Quarteto Novo em 1969, indo para a terra do Tio Sam e encerrando a trajetória do grupo. Em Nova York, 1971, Hermeto apresentou-se para uma seleta platéia que incluía Miles Davis, Wayne Shorter e Gil Evans, impressionando a todos, tanto que Miles o convidou a participar do álbum Live-Evil. O trabalho traz duas composições de Hermeto (Capelinha - Little Church) e Nem um Talvez. (nota canina: são três composições, com Selim; e nenhuma foi creditada.) Ele conta que, enquanto não estavam tocando, costumava lutar boxe com o trompetista. Mas como exatamente Miles Davis e Hermeto Pascoal se conheceram? Conta Hermeto, numa entrevista recente: “Eu fui ver um show dele, levado por um tradutor. Antes do show começar, vi aquele crioulão - apesar de ele não ser muito alto, mas sempre bem vestido, gostava muito de couro, impressionava - se quando aproximava. Chegou pertinho de mim e sussurou com aquela voz rouca no meu ouvido. Não o reconheci e achei que era um cara me passando uma cantada. Como não falava inglês, o tradutor que estava do meu lado me disse que era o Miles e que ele queria saber quem eu era. O tradutor respondeu ao Miles e marcamos de nos conhecermos depois. Mostrei a ele umas 12 músicas, que eram bem diferentes de tudo aquilo que ele fazia. Disse que queria colocar algumas no disco dele e eu me senti à vontade para brincar e dizer que eu veria quantas músicas deixaria ele colocar no disco dele. Aí o Miles continuou a brincadeira dizendo: “Esse albino é mais louco que eu”. Tínhamos mais um CD engatilhado, mas ninguém imaginou que ele fosse morrer tão cedo.”
(…) Diz ele, sobre o que acha de Miles, hoje: “Um eterno gênio. Digo isso pela sua essência, pela sua contribuição. Claro que ele teve seus erros. Tivemos um amizade espiritual, maravilhosa. Deus me deu um presente ao conhecer o Miles. Acredito que nada acontece por acaso. Ele era um sujeito que não gostava de passar as mãos nas costas. Se ele não gostava de você logo dizia “vamos interromper nossa conversa por aqui” e era isso, direto.”
Diz a lenda que Miles jamais despediu um músico (um item para desmentir que Coltrane forá demetido) ; eles simplesmente sabiam a hora de sair. As formações em constante mutação, como vocês podem ver abaixo junto ao nome das músicas, são recorrentes - e com vantagem para o ouvinte. Miles, se não era um excelente gestor de Recursos Humanos, tinha um olho inigualável para talentos e para ajustar as melhores formações. Nestes registros, temos só craques. Meio estúdio (duas sessões em fevereiro, uma em junho, 1970), meio ao vivo (faixas 1, 4, 7 e 8 gravadas em 19 de dezembro daquele ano), é sucessor de Bitches Brew; se o som segue o fusion iniciado na obra-prima anterior, aqui ele vem ainda mais miscigenado - cheio de funk e grooves, além do rock. Diz-se que é um disco para iniciados; eu o considero um grande iniciador ao fusion, também. Esperem destreza técnica, trumpete com filtros (notadamente um wah-wah) e muita eletricidade - sendo as composições de Hermeto os interlúdios leves. Suas participações nas músicas (e também nas de Airto Moreira) descrevem-se sozinhas, e provocam sorrisos no ouvinte. Produzido por Teo Macero para a Columbia
Dica:Pra quem deseja se aprofundar na literatura do jazz com boa informação, curiosidades e dicas o ideal é: O Jazz - do rag ao rock (Joachim E. Berendt - Ed. Perpectiva). Leitura obrigatoria para os neofitos. Recomendo.

Tracks:
1. Sivad (Miles Davis)
2. Little Church (Hermeto Pascoal)
3. Medley: Gemini/Double Image (Miles Davis/Joe Zawinul)
4. What I Say (Miles Davis)
5. Nem Um Talvez (Miles Davis)
6. Selim (Miles Davis)
7. Funky Tonk (Miles Davis)
8. Inamorata and Narration by Conrad Roberts (Miles Davis)

Pessoal:
Miles Davis - Trompete
Gary Bartz - Sax. Soprano e Alto nas faixas 1, 4, 7, 8
John McLaughlin - Guitarra nas faixas 4, 7, 8
Keith Jarrett - Piano e Orgão na faixas 1, 2, 4, 8
Michael Henderson - Guitara Base nas faixas 1, 4, 7, 8
Jack DeJohnette - Bateria
Airto Moreira - Percursão
Steve Grossman - Sax. Soprano nas faixas 2, 5, 6
Chick Corea - Piano nas faixas 2, 3, 5, 6
Herbie Hancock - Piano nas faixas 2, 5, 6
Dave Holland - Guitarra bas e Contabaixo nas faixas 2, 3
Hermeto Pascoal - Percussão, Piano e Vocais nas faixas 2, 5, 6
Wayne Shorter - Sax. Soprano na faixa 3
Joe Zawinul - Piano na faixa 3
Khalil Balakrishna - Citarra Eletrica na faixa 3
Billy Cobham - Bateria na faixa 3
Ron Carter - Contabaixo nas faixas 5, 6
Download - Here Part. I
Download - Here Part. II
Boa audição - Namastê

terça-feira, 22 de março de 2011

1970 - Isle of Wight Festival - Miles Davis

A Ilha de Wight fica ao Sul de Southhampton - Inglaterra, um refugio de veraneio com uma população muito pequena. A Inglaterra bem como a Europa em si em finais dos anos 60, não tinha muita tradição em festivais de rock. A maioria deles estavam nos EUA: Monterrey, Fillmore East e o aclamadíssimo Woodstock. O que mais se aproximou disso foi o famoso festival de Montreaux, na Suíça, organizado por Claude Nobs, dedicado ao Jazz, abrindo as portas para o rock somente na década seguinte. A primeira edição ocorre timidamente em 31 de agosto de 1968, em Ford Farm, tendo Jefferson Airplane e T-Rex como atrações principais. Dez mil pessoas assistiram os concertos. Ganha algum prestígio em 1969, sendo realizado em Wootton, nos dias 30 e 31 de agosto, com uma gama maior de artistas, como The Who, Bob Dylan, Joe Cocker, Richie Havens, entre outros. O público também aumentou consideravelmente: 150 mil pessoas (aproximadamente) assistiram os dois dias do festival. Mas nada supera a edição de 1970. O mundo da música já tinha presenciado o furacão chamado Woodstock. A terceira edição do festival foi realizado em Afton Down, entre os dias 26 e 30 de Agosto (Devidos aos atrasos, acabou prolongando-se até o dia 31). Nesses cinco dias, atrações de peso passaram pelo palco, onde ocorreram shows inesquecíveis. O Festival conseguiu colocar 600 mil pessoas, o triplo de Woodstock e do esperado pela organização do festival (outras fontes afirmam 800 mil pessoas), o que aterrorizou os 10 mil moradores da ilha na época e que colocou a Europa no cenário dos grandes festivais de Rock. O clima e a atmosfera do festival eram bem parecidos com o de Woodstock: ainda era tempos do “paz e amor” do movimento hippie, porém já em momentos de decadência. Por isso, não é difícil encontrar, em registros visuais do evento, acampamentos ou trailers espalhados pelo local do festival. Os próprios artistas que tocaram no festival falaram sobre isso: Peter Townshend, guitarrista do The Who, contou, em entrevista de 2004 ao cineasta Murray Lerner, das dificuldades da chegada a Ilha, onde já estava ocorrendo problemas quanto a organização do festival, do comportamento do público (pedindo comida a Peter no camarim e apresentando um comportamento anarquista) e do seu incômodo em tocar em Isle of Wight, com a tensão pré-show. Carl Palmer, baterista do Emerson, Lake & Palmer, apesar de dizer que o ambiente criado pelo festival foi bom, o mesmo tinha tudo abaixo dos padrões: segurança, isolamento, banheiros, a ponto de dizer que “cometeram-se todos os erros possíveis num festival”. O Festival iniciou-se no dia 26 de Agosto, com atrações menos conhecidas do público, como Judas Jump, Mighty Baby, Kris Kristofferson (autor de Me and Bobby McGee, mundialmente conhecida na voz de Janis Joplin) e Redbone. O mesmo panorama marcou o segundo dia de apresentações, com atrações como Supertramp (que emplacou sucessos após a segunda metade dos anos 70) e Black Window. Esse mesmo dia marcou a apresentação do então exilado Gilberto Gil no festival, representando a tropicália brasileira (não existem registros desta apresentação). As grandes bandas começam a aparecer no terceiro dia do festival - 28 de Agosto. As principais atrações ficaram por conta da banda Family (Roger Chapman), Chicago (Peter Cetera) e o Taste (Rory Gallagher), que em uma entrevista disse que no momento do Festival, todos os integrantes da banda já não falavam entre si, mas que o clima do show foi bom. Após o festival, a banda foi dissolvida. O quarto dia do Isle of Wight foi de arrepiar: o “debut” do power-trio progressivo Emerson, Lake & Palmer, com uma proposta musical inovadora (uso de conceitos da música clássica em “Pictures at an Exhibition”), um sintetizador moog de quase 3 toneladas e tiros de canhão em pleno palco, o Jazz de Miles Davis, o Free mostrando a competência de Paul Rodgers e Paul Kossof, além de Ten Years After e Joni Mitchell. Mas a noite foi dominada pela bandas The Who, que, em seu auge criativo, tocou, além de seus grandes sucessos anteriores, a maioria das faixas da aclamada ópera-rock “Tommy”, e The Doors, que acabou sendo um dos últimos shows da banda com o lendário Jim Morrison nos vocais. O último dia do festival tinha tudo para ser digno de um gran-finale, pois já tinham passado pelo palco o progressivo de Jethro Tull, o psicodelismo do Moddy Blues e o Folk de Joan Baez. Jimi Hendrix e sua “Gypsy Suns and Rainbows” seria o encarregado de fechar a noite. Fez até um excelente show, com direito a 18 minutos de "Machine Gun" e covers dos Beatles e Bob Dylan, porém suas idéias novas foram incompatíveis com o desejo do público em ouvir os sucessos mais antigos. Resultado: uma vaia monumental para Hendrix e um público mal-comportado, com direito a instrumentos no palco queimados. Os ânimos foram acalmados já na madrugada do extrapolado dia 31 de agosto, com o Folk-Rock de Leonard Cohen e sua banda, a “The Army”, que foram chamados de última hora e que fecharam o festival em grande estilo. Festival da Ilha de Wight só voltou a ser realizado em 2007, tendo como principal atração os Rolling Stones. De lá para cá, o evento vem sendo realizado anualmente, porém de uma forma cada vez mais opaca e sem o mesmo brilho de antes. A edição desse 2010 ocorreu entre os dias 11 e 13 de Junho, tendo como atrações notoriamente conhecidas Paul McCartney, Spandau Ballet e The Strokes. Quase passando em branco, diga-se de passagem. Os diversos registros do Isle of Wight Festival 1970 começaram a ser publicados na década de 1990 em áudio e em vídeo de forma oficial e através dos famosos bootlegs (gravações não autorizadas de áudio ou vídeo). As diversas filmagens dos shows de Isle of Wight Festival foram feitas pelo cineasta renomado Murray Lerner. O álbum "Message to LoveThe Isle of Wight FestivalV.A." traz uma coletânea dos artistas que se apresentaram com suas melhores performances do show. Fontes: Whiplash, Wikipédia e Site Oficial do “The Isle Of Wight Festival” .

Miles Davis (queria ter visto esse show), teve uma apresentação que duração de apenas 38 minutos diante de uma platéia alucinógena que em registro de vídeo, mostra não agrada muito. Davis naquela ocasião, deve ter saído de seu lar com o unico propósito de 'agradar' ao público com sua música. Ele praticamente se faz de super-humano ao simplesmente entrar no palco tocar por pouco mais de meia hora e sair dando apenas um breve aceno para o público que, nesta altura do campeonato já estava totalmente sob o efeito de Canabis e outros pejorativos. Depois do show, um jornalista perguntaram a Miles Davis qual era o nome da musica tocada. Ele com toda a sinceridade que um homem pode ter, respondeu: "- Call It Anything...!!!".


1970 - Isle of Wight Festival

Faixas:
01 - Directions
02 - Bitches Brew
03 - It's About That Time
04 - Sanctuary
05 - Spanish Key
06 - The Theme

Musicos:

Keith Jarrett - Órgão
Miles Davis - Trompete
Jack DeJohnette - Bateria
Airto Moreira - Percussão
Chick Corea - Piano Elétrico
Gary Bartz - Sax. Soprano e Alto
Dave Holland - Baixo Acústico e Elétrico